Dos antigos mártires aos santos cujos nomes permanecem desconhecidos, a Igreja celebra todos aqueles que já alcançaram a glória do Céu.

Há santos muito conhecidos pelos católicos. Suas imagens estão nas igrejas, suas vidas são estudadas e suas festas reúnem multidões. Há também aqueles cuja história quase ninguém conhece, mas que viveram na fidelidade a Deus e hoje participam da felicidade eterna.
A Festa de Todos os Santos honra todos os bem-aventurados que estão no Céu, conhecidos ou desconhecidos dos homens.
Celebrada em 1º de novembro no calendário romano, a solenidade agradece a Deus pela santidade de seus servos, pede sua intercessão e recorda a finalidade da vida cristã: alcançar a união eterna com Ele.
Como surgiu a Festa de Todos os Santos?
A origem da celebração está ligada à veneração dos mártires nos primeiros séculos do cristianismo.
As comunidades recordavam aqueles que haviam dado a vida por Cristo, especialmente no aniversário de sua morte, considerado seu nascimento para a vida eterna. Os fiéis se reuniam para honrar sua memória e celebrar a Eucaristia.
Com o grande número de mártires, desenvolveram-se comemorações que os reuniam numa mesma celebração. No século IV, já havia em Antioquia uma festa em honra de todos os mártires, no domingo depois de Pentecostes.
Progressivamente, a veneração litúrgica passou a abranger também santos que haviam testemunhado sua fé sem sofrer o martírio: pastores, virgens, religiosos e outros fiéis reconhecidos pela santidade de vida.
Em Roma, um acontecimento importante ocorreu no início do século VII. No dia 13 de maio de 609 ou 610, o Papa Bonifácio IV dedicou o antigo Panteão à Santíssima Virgem e a todos os mártires. A dedicação passou a ser comemorada anualmente.
No século VIII, durante o pontificado de Gregório III, uma capela da Basílica de São Pedro foi dedicada à honra de todos os santos. A comemoração romana ficou associada ao dia 1º de novembro.
No século IX, durante o pontificado de Gregório IV, a celebração de 1º de novembro se difundiu no Ocidente. Sua observância foi promovida no Império Carolíngio, contribuindo para consolidar a festa no calendário da Igreja latina.
A festa se desenvolveu, portanto, a partir da veneração cristã dos mártires e dos demais santos.
Quem são os santos celebrados nesse dia?
São todos aqueles que já contemplam Deus no Céu. A celebração inclui os santos canonizados e a multidão de bem-aventurados que nunca receberam reconhecimento público na terra.
Entre eles estão pais e mães, sacerdotes, religiosos, trabalhadores e tantas pessoas que viveram discretamente, cumprindo seus deveres e perseverando na graça de Deus.
A canonização reconhece solenemente a santidade de uma pessoa e a apresenta à veneração da Igreja. Muitos outros, porém, alcançaram a felicidade eterna sem que seus nomes fossem incluídos no calendário litúrgico.
Todos os Santos celebra também esses bem-aventurados, cuja vida e santidade são conhecidas por Deus.
A comunhão entre a terra e o Céu
A morte não rompe a união dos que pertencem a Cristo.
A doutrina católica distingue a Igreja militante, formada pelos fiéis que ainda combatem nesta vida; a Igreja padecente, constituída pelas almas em purificação no Purgatório; e a Igreja triunfante, formada pelos santos que já estão na glória.
São diferentes estados da mesma Igreja, unida em Cristo.
Os santos intercedem por aqueles que ainda vivem na terra. Os fiéis oferecem orações e sufrágios pelas almas do Purgatório. Na Santa Missa, essa comunhão se expressa de maneira especial: a Igreja honra os santos, pede seu auxílio e recorda os falecidos diante de Deus.
O que a liturgia ensina sobre a santidade?
A liturgia de Todos os Santos apresenta a multidão dos redimidos diante de Deus e o caminho das Bem-aventuranças anunciado por Jesus.
A pobreza de espírito, a mansidão, a misericórdia, a pureza de coração e a fidelidade em meio às perseguições mostram como o Evangelho transforma a vida.
A santidade nasce da graça de Deus e exige a correspondência do homem. Desenvolve-se na oração, nos sacramentos, no arrependimento dos pecados, na prática das virtudes e no cumprimento dos deveres de cada estado de vida.
Ao celebrar aqueles que já estão no Céu, a Igreja recorda que a santidade é possível com o auxílio divino. Os santos conheceram as dificuldades da vida humana e encontraram em Deus a força para vencê-las.
Seus exemplos ajudam os fiéis a perseverar, corrigir os próprios pecados e crescer no amor a Nosso Senhor.
Qual é a relação com o Dia de Finados?
As duas celebrações, colocadas lado a lado no calendário, expressam essa comunhão.
Em Todos os Santos, a Igreja honra aqueles que já estão no Céu. Em Finados, oferece sufrágios pelos falecidos que ainda necessitam de purificação.
A alegria pela glória dos santos é seguida pela caridade para com as almas do Purgatório. Elas morreram na graça de Deus, têm a salvação assegurada e aguardam a conclusão de sua purificação.
A oração pelos falecidos, especialmente o Santo Sacrifício da Missa oferecido em sua intenção, manifesta o amor que continua depois da morte.
Uma caridade que permanece durante o ano
Essa oração inspira a Liga de Resgate das Almas do Purgatório, da Associação Regina Fidei.
Por meio de suas contribuições regulares, os participantes ajudam a sustentar a celebração semanal de Santas Missas em sufrágio das almas do Purgatório e a incentivar a oração pelos fiéis defuntos.
No Velário Virtual, podem apresentar os nomes daqueles que desejam confiar às orações da Liga.
A celebração dos santos recorda a felicidade para a qual Deus chama seus filhos. Rezar pelos falecidos é uma forma de socorrer aqueles que ainda se preparam para alcançá-la.
FAÇA PARTE DA LIGA DE RESGATE DAS ALMAS DO PURGATÓRIO
Fontes:
Enciclopédia Católica, “All Saints’ Day”: comemorações antigas dos mártires, dedicação do Panteão e desenvolvimento da festa no Ocidente.
Vatican News, “Todos os Santos”: raízes da celebração em Antioquia e dedicação da capela na Basílica de São Pedro.
Karl Adam Heinrich Kellner, Heortology: difusão da celebração no Império Carolíngio e determinação de sua observância em 835.
Catecismo Maior de São Pio X, instrução sobre as festas, capítulos X e XI, questões 209–217: finalidades da festa, imitação dos santos e relação com a comemoração dos fiéis defuntos.
Concílio de Trento, sessão XXV, decreto sobre a invocação e veneração dos santos: intercessão dos santos e sua dependência de Jesus Cristo, único Redentor.
Catecismo Romano, quarta parte, seção sobre a oração: distinção entre as súplicas dirigidas a Deus e os pedidos de intercessão aos santos.
Bento XVI, homilia de 1º de novembro de 2006: santos conhecidos e desconhecidos, ação da graça e significado das Bem-aventuranças.
Bento XVI, Angelus de 1º de novembro de 2011: comunhão dos santos, vida eterna e oração pelos falecidos.





