Um sonho de Dom Bosco, ocorrido há mais de 160 anos, revela como as distrações podem nos afastar da vida espiritual.

O celular tornou-se parte da vida cotidiana. Nas ruas, no trabalho, nas escolas e até dentro de casa, é comum encontrar pessoas constantemente diante de uma tela.
Embora ofereça inúmeras vantagens, seu uso excessivo tem preocupado especialistas, especialmente pelos efeitos associados à ansiedade, aos distúrbios do sono e ao isolamento social.
Segundo o relatório Digital 2024, os internautas brasileiros passavam, em média, 9 horas e 13 minutos por dia na internet.
Em Portugal, segundo o relatório Digital 2024, os usuários de internet passavam, em média, 7 horas e 30 minutos por dia conectados.
Mas existe também um perigo espiritual: quantas vezes vemos pessoas falando ao celular durante a Missa, por exemplo?
Ou pessoas que, por ficarem rolando o feed das redes sociais, acabam abandonando a oração da manhã e da noite, o Santo Terço e até a frequência aos sacramentos?
Curiosamente, um sonho de São João Bosco, ocorrido há mais de 160 anos, apresenta uma cena que lembra muito essa realidade.
O Sonho da Lanterna Mágica
Em maio de 1865, São João Bosco teve um sonho profético em que uma “lanterna mágica” mostrava aos jovens jogos, pessoas, lugares, dinheiro e outras distrações.
O relato chama atenção pela semelhança com o que hoje podemos ver em um celular e nas redes sociais.
O episódio foi registrado pelo Padre Giovanni Battista Lemoyne nas Memórias Biográficas de São João Bosco.
No dia 1º de maio de 1865, Dom Bosco contava o seguinte sonho:
“Sonhei e me parecia estar na Igreja. A Igreja estava repleta de jovens, mas poucos se aproximavam da Santa Comunhão.
Ao longo da balaustrada [mesa de comunhão] havia um homem comprido, negro e com dois chifres na cabeça. Ele tinha nas mãos uma lanterna mágica e fazia os jovens verem diversas coisas.
A um mostrava uma recreação toda animada pelos brinquedos e o entretinha em seu divertimento predileto.
A outro apresentava os jogos esportivos que mais lhe agradavam, as partidas perdidas e as futuras vitórias.
A estes mostrava sua terra natal com seus passeios, campos e alguma determinada casa, aqueles podiam ver na sua lanterna os livros e as apostilas para obter bolsas de estudo.
E a outros ainda mostrava frutas, doces e vinho que ele tinha num baú.
Não faltavam os que viam seus pais, os amigos, cenas pecaminosas, o dinheiro não entregue. Portanto, assim entretidos, eram poucos os que se aproximavam da Sagrada Comunhão.
Muitos, ao ver os passeios, as férias, deixavam tudo de lado e paravam para contemplar com avidez seus antigos companheiros e suas diversões de outros dias.”
Ao terminar de narrar o sonho, São João Bosco voltou-se para os jovens e perguntou:
“Vocês sabem o que significa este sonho? Que o demônio faz o quanto pode para distrair os jovens na igreja; para afastá-los dos Santos Sacramentos. E os jovens são tão ingênuos que caem na rede e passam o tempo olhando através da lente.”
E, logo a seguir, fez uma exortação que vale também para nós.
“Filhos meus: é necessário romper essa lanterna do diabo. Vocês sabem como? Levantando o olhar para a Cruz e pensando que afastar-se da Comunhão é o mesmo que atirar-se nos braços do demônio.”
Precisamos estar Atentos à Estratégia do Inimigo
Dom Bosco entendeu exatamente o que muitos hoje em dia não entendem: o inimigo procura manter nossa mente ocupada para que o coração não encontre Jesus Cristo.
O mais surpreendente é que esse sonho aconteceu numa época em que não existiam celulares, internet, redes sociais, nem mesmo a televisão ou o rádio.
No entanto, aquela ‘lanterna’ tinha uma característica muito particular: mostrava a cada pessoa aquilo que mais despertava sua atenção, de acordo com seus gostos, interesses, preocupações e desejos, como fazem hoje os celulares.
O celular não é ruim por si só. O perigo está no uso excessivo, quando passamos tanto tempo diante da tela que acabamos nos esquecendo das coisas de Deus. Isso é ainda mais preocupante quando o aparelho é entregue a uma criança cuja consciência ainda está em formação.
O alerta de Dom Bosco continua atual: não devemos permitir que o celular nos afaste da Santa Missa, da oração, do Santo Rosário e dos sacramentos. Pelo contrário, podemos utilizar essa mesma tecnologia para fortalecer e divulgar a fé católica.
Afinal, se as telas podem ser utilizadas para nos distrair das coisas de Deus, também podemos fazer delas instrumentos para aproximar mais almas de Jesus Cristo.




