Uma mensagem de 1689 e os acontecimentos de um século depois marcaram a história da devoção ao Sagrado Coração.

Em 1689, uma religiosa de clausura registrou uma mensagem dirigida a Luís XIV, um dos reis mais poderosos da Europa.
Era Santa Margarida Maria Alacoque, da Ordem da Visitação, que vivia no convento de Paray-le-Monial, na França.
Sua vida era dedicada à oração e à adoração de Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento. Segundo seus relatos, recebeu aparições e palavras de Jesus, especialmente entre 1673 e 1675.
Nessas manifestações, Nosso Senhor lhe mostrou Seu Sagrado Coração e confiou-lhe a missão de tornar conhecido Seu amor pelas almas.
Essas experiências extraordinárias acompanharam sua vida religiosa. A santa comunicava às superioras e aos confessores o que vivia, enfrentando dúvidas e incompreensões.
Os pedidos recebidos envolviam a propagação da devoção ao Sagrado Coração e a reparação pelas ofensas e ingratidões contra Nosso Senhor.
A mensagem destinada ao rei fazia parte dessa missão: por sua posição, Luís XIV poderia favorecer publicamente a devoção e dar exemplo à corte.
O que Nosso Senhor pediu ao rei?
Nas cartas de 1689 à sua antiga superiora, Madre de Saumaise, Santa Margarida Maria relatou o pedido de consagração pessoal do monarca ao Sagrado Coração.
Os escritos também mencionavam a representação daquele Coração nos estandartes e nas armas reais, além da construção de um edifício onde o rei e a corte Lhe prestariam homenagem.
Luís XIV deveria ainda favorecer, junto à Santa Sé, a aprovação da Missa em honra ao Sagrado Coração.
Para alcançar a corte, Santa Margarida Maria recorreu à Madre de Saumaise e aos contatos da Visitação de Chaillot. O padre François de La Chaise, confessor de Luís XIV, era indicado como intermediário.
Não há certeza documental sobre o que efetivamente chegou ao rei. Autores católicos divergem nesse ponto, mas as homenagens solicitadas não foram realizadas por Luís XIV nos termos apresentados nas cartas.
Cem anos depois
A mensagem de junho de 1689 é tradicionalmente datada de 17 de junho. Exatamente cem anos depois, em 17 de junho de 1789, representantes do terceiro estado e alguns membros do clero constituíram-se em Assembleia Nacional, em uma ruptura decisiva da ordem política francesa.
A Revolução avançaria até a queda da monarquia, em 1792. No ano seguinte, Luís XVI, descendente de Luís XIV, seria guilhotinado. A perseguição religiosa também faria vítimas, entre elas as dezesseis carmelitas de Compiègne, executadas em 1794.
Historiadores católicos veem nessa sequência uma advertência espiritual sobre a infidelidade e a demora em corresponder aos chamados de Deus.
Uma resposta que continua necessária
Santa Margarida Maria dedicou sua vida a tornar o Coração de Jesus conhecido e amado. Seu exemplo recorda a necessidade de corresponder a esse amor com oração, reparação pelos pecados e fidelidade aos mandamentos.
Esse compromisso pode começar nos lares, com a oração em família, e se fortalecer com a Confissão e a assistência à Santa Missa.
Para ajudar a levar essa devoção a mais famílias, a Associação Regina Fidei convida seus leitores a conhecer os Guardiões do Sagrado Coração de Jesus.
QUERO SER UM GUARDIÃO DO SAGRADO CORAÇÃO
Fontes:
SANTUÁRIO DO SAGRADO CORAÇÃO DE PARAY-LE-MONIAL. Sainte Marguerite-Marie et Saint Claude.
SANTA MARGARIDA MARIA ALACOQUE. Cartas de 1689. In: Vie et œuvres, tomo II, 1915. Trechos e discussão documental.
MOSTEIRO DA VISITAÇÃO DE PARAY-LE-MONIAL. Le message au roi.





