Da coroa da Princesa Isabel à missão de evangelizar, entenda por que o Brasil precisa permanecer fiel à sua Rainha.

“Ao trono acorrendo da Virgem Maria, exulta o Brasil de amor e alegria.”
Esse é um trecho do Ave de Aparecida, uma das canções que ressoam pelo país no dia 12 de outubro, festa de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Rainha, Padroeira e Generalíssima do Brasil.
Neste ano de eleições, em que Nossa Senhora foi colocada no centro do debate eleitoral, convém fazer uma pergunta: os católicos realmente conhecem o papel que a Padroeira do Brasil ocupa na nossa história e, sobretudo, na vocação espiritual da nossa nação?
Afinal, o Brasil foi solenemente confiado a Nossa Senhora para que Ela o governasse como Mãe e Rainha. E esse reconhecimento, reiterado ao longo da nossa história, estabelece uma responsabilidade especial para o povo brasileiro.
Para compreender o alcance dessa missão, precisamos recordar alguns acontecimentos que marcaram a relação entre Nossa Senhora e o Brasil.
A Princesa Isabel entrega o Brasil a Nossa Senhora
Voltemos ao final do Império, durante o reinado de Dom Pedro II.
A Princesa Isabel, filha e herdeira do imperador, era profundamente católica e devota de Nossa Senhora Aparecida. Em uma de suas visitas ao Santuário, apresentou suas súplicas à Virgem e ofereceu-lhe um manto adornado com 21 brilhantes, representando as províncias e a capital do Brasil.
Quatro anos antes de assinar a Lei Áurea, em meio às retaliações políticas que sofria por sua posição abolicionista, a princesa ofereceu a Nossa Senhora uma réplica em miniatura da coroa imperial.
Segundo a tradição, acompanhava o presente um bilhete com estas palavras:
“Eu, diante de Vós, sou uma Princesa da terra e me curvo, pois és a Rainha do Céu e Te dou tão pobre presente que é uma coroa que seria igual à minha, e se eu não me sentar no Trono do Brasil, rogo que a Senhora se sente nele por mim e governe perpetuamente o Brasil.”
O significado desse gesto ultrapassava a devoção pessoal da princesa herdeira. Isabel reconhecia Nossa Senhora como Rainha legítima e, diante da possibilidade de não assumir o trono, confiava-lhe o governo do Brasil.
Ao fazer essa oferta, a Princesa Isabel dava continuidade a uma tradição que remonta ao rei João IV de Portugal, que, em 1646, coroou Nossa Senhora da Conceição como Rainha de Portugal e, consequentemente, do Brasil, então pertencente ao império português.
Assim, o manto e a coroa representavam o poder temporal submetendo-se ao espiritual, reconhecendo que, acima de qualquer autoridade humana, está a realeza de Nosso Senhor Jesus Cristo e de Sua Santíssima Mãe.
Entretanto, esse reconhecimento não terminaria com a monarquia.
Uma Rainha para governar o Brasil

No dia 8 de setembro de 1904, com autorização do Papa São Pio X, Nossa Senhora Aparecida foi solenemente coroada pelo então bispo de São Paulo, Dom José de Camargo Barros, na presença massiva do episcopado brasileiro (estavam presentes 12 dos 17 bispos do país), de centenas de sacerdotes, do núncio apostólico do Brasil, Monsenhor Giulio Tonti, e de diversas autoridades civis.
Aquela coroação possuía um significado que ia além da cerimônia: expressava publicamente a realeza de Nossa Senhora sobre o Brasil.
Por isso, dela decorre uma obrigação especial para os católicos brasileiros: honrar e glorificar Nossa Senhora, espalhar sua devoção por toda parte e trabalhar para que o Brasil corresponda à proteção de sua Rainha.
Trata-se de promover verdadeiras cruzadas espirituais em nome de Nossa Senhora, defendendo a Fé, combatendo o pecado e procurando aproximar as almas de Nosso Senhor Jesus Cristo.
É, portanto, uma vocação nacional que se projeta também para além de nossas fronteiras.
Esse vínculo recebeu novo reconhecimento em 1930, quando o Papa Pio XI proclamou oficialmente Nossa Senhora Aparecida Rainha e Padroeira do Brasil.
Não se tratava de um simples título honorífico. Era um ato jurídico da Santa Sé, exercido em virtude do poder das Chaves, pelo qual a Igreja estabelecia oficialmente uma relação especial de realeza e autoridade entre Nossa Senhora e o povo brasileiro.
Mas existe ainda outro aspecto dessa relação que poucos brasileiros conhecem.
Nossa Senhora, a Generalíssima do Brasil
Você aprendeu na escola que Nossa Senhora Aparecida também recebeu o título de Generalíssima do Exército Brasileiro?
Em 1967, a Padroeira do Brasil recebeu essa honraria, que reconhecia simbolicamente sua posição como comandante suprema e protetora espiritual do Exército Brasileiro.
Contudo, esse vínculo com as Forças Armadas já existia, pelo menos, desde a época do Império.
Naquele tempo, os soldados brasileiros tinham o costume de rezar o terço, especialmente antes das batalhas. Durante a Guerra do Paraguai, em 1866, o general Dionísio Cerqueira registrou uma oração cantada pelos militares em louvor à Imaculada Conceição, dogma mariano expresso na devoção a Nossa Senhora Aparecida:
“Ó Virgem da Conceição, Maria Imaculada, vós sois a advogada dos pecadores, e a todos encheis de graça com a vossa feliz grandeza. Vós sois dos céus, princesa, e do Espírito Santo, Esposa. Maria mãe de graça, mãe de misericórdia, livrai-nos do inimigo e protegei-nos à hora da morte. Amém.”
Essa tradição revela uma realidade profundamente enraizada na história brasileira: até mesmo diante dos perigos da guerra, nossos soldados recorriam à proteção da Santíssima Virgem.
A vocação espiritual de uma nação
O Brasil nasceu católico. Terra de Santa Cruz, o chamou o seu primeiro historiador, Pero Vaz de Caminha, que escreveu ao rei de Portugal:
“Não podemos saber se existe ouro, prata, metais ou ferro; não os vimos. Mas a terra por si mesma é rica (….) Todavia o melhor fruto que se poderá tirar será, a nosso ver, de levar aos seus habitantes a salvação de suas almas”
Dom João III no regimento em que estabelecia as regras de governo para Tomé de Sousa no Brasil, afirmava:
“A razão principal que me há levado a mandar povoar a citada terra do Brasil foi que a gente do país se convertesse à nossa santa fé católica”
Esses dois documentos revelam que a expansão da Fé Católica estava entre os propósitos declarados dos portugueses desde os primeiros tempos do Brasil. A evangelização ocupava, portanto, um lugar central no projeto que deu origem à nossa formação histórica.
E, se Nossa Senhora Aparecida é reconhecida como Rainha e Generalíssima, seu papel ultrapassa a proteção maternal à qual recorremos em nossas necessidades.
Sua realeza nos recorda também a missão de evangelização iniciada por Portugal e que nós, como católicos brasileiros e súditos desta Rainha, temos o dever de continuar.
Neste ano de eleições, quando se discute quem deve governar o país, convém recordar que a Princesa Isabel já havia colocado a coroa do Brasil aos pés de Nossa Senhora para que a Santíssima Virgem assumisse o lugar dela como governante espiritual dos brasileiros.
Portanto, neste dia em que a Igreja no Brasil celebra sua Rainha e Padroeira, devemos nos perguntar, como católicos: estamos fazendo a nossa parte para que o Brasil corresponda à sua vocação e permaneça fiel à sua Rainha e à verdadeira Fé que forjou sua identidade?
O Brasil tem uma boa e amorosa Mãe: a Senhora Aparecida!
O Brasil tem uma Rainha e uma poderosa intercessora: a Senhora Aparecida!
O Brasil tem uma Generalíssima que combate a nosso favor: a Senhora Aparecida!
Diante de tudo isso, lembremos de que será somente sob o manto de Nossa Senhora Aparecida que o Brasil será um grande país.




