O Coração que Nunca Parou de Amar

O que Jesus pediu a Santa Margarida Maria Alacoque – e o que Padre Pio fez com esse pedido

Era uma noite de 1675 quando Nossa Senhora não apareceu. Foi o próprio Cristo.

Em Paray-le-Monial, na França, Jesus se revelou a Santa Margarida Maria Alacoque e mostrou seu Coração. Cercado de espinhos, ferido, mas em chamas. E disse:

“Eis o Coração que tanto amou os homens, que nada poupou, chegando a esgotar-se e a consumir-se para lhes dar provas do seu amor. E em reconhecimento, só recebo da maior parte ingratidões, desprezo, irreverências, sacrilégios e frieza.”

Essa cena foi transmitida pelo Beato Cláudio de la Colombière, confessor da santa. Não é lenda. Não é devoção menor. É o ponto de origem de uma das mais sólidas devoções da Igreja Católica.

Padre Pio conhecia esse Coração. Amava-o. E fazia os outros amá-lo também.

O que Jesus pediu naquela aparição foi preciso: uma festa solene no primeiro sexta-feira após a oitava do Santíssimo Sacramento, com comunhão reparadora pelas indignidades que recebeu. E uma promessa: “Meu Coração se dilatará para derramar com abundância as influências do seu divino amor sobre aqueles que lhe prestarem essa honra.”

Há um detalhe que costuma ser esquecido nos dias de hoje.

Os especialistas na devoção ao Sagrado Coração são unânimes: a reparação é inseparável dessa devoção. Jesus não pediu apenas amor. Pediu reparação. Pediu que os fiéis compensassem com sua devoção a frieza, o sacrilégio e a ingratidão dos outros.

Hoje, fala-se muito do Sagrado Coração. Fala-se pouco de reparação. E no entanto, foi a própria boca de Cristo que pronunciou essa palavra.

Quais são os frutos concretos dessa devoção?

Primeiro: quem a pratica não consegue ficar frio. O amor do Coração de Jesus acende. Não há como contemplar esse Coração sem ser tomado por algo.

Segundo: esse amor não fica guardado. Quem tem a devoção ao Sagrado Coração sente necessidade de levar almas a Ele. O apostolado nasce naturalmente de quem contempla esse Coração.

Mas há uma advertência importante. Essa não é uma devoção sentimental.

A devoção ao Sagrado Coração não é um sentimento que aparece quando tudo vai bem e some quando a vida aperta. Isso não é devoção. É sentimentalismo. É como o vento que dispersa o pólen no verão – bonito enquanto dura, mas sem raiz.

A devoção verdadeira resiste à aridez, ao tédio, à desolação. Resiste quando a oração pesa. Resiste quando o demônio instala um cansaço profundo, uma irritação com as coisas sagradas, uma depressão sem motivo aparente.

O diabo conhece bem esse terreno. As religiosas que têm anos de vida interior sabem disso: ele é capaz de criar estados de alma inteiros. Um cansaço paralisante. Uma repulsa pela oração. Uma sensação de vazio onde antes havia fervor.

A resposta não é esperar passar. É rezar mais. É lutar. Como Padre Pio lutou e ensinou a lutar.

Contemplar o Sagrado Coração também exige que se faça uma composição interior. Santo Inácio de Loyola ensinava seus retirantes a usar a imaginação na meditação. Imaginar a cena. Colocar-se nela. Sem isso, a meditação vira um exercício intelectual vazio.

Tente então imaginar isso: o Filho de Deus olha para o homem. O que vê? Pó e cinza. E mais: um inimigo. Escravo do demônio. Condenado à morte eterna por seus próprios pecados. Merecedor de castigo.

E ainda assim o amou.

Não com um amor comedido. Com um amor que parece excessivo, desmedido, indigno de Deus. Jesus sacrificou sua glória, abraçou uma vida pobre e perseguida, e morreu na cruz – não para alguém que merecia, mas para quem merecia o contrário.

Cada ação de sua vida foi para o bem dos homens. Cada palavra. Cada lágrima. Cada desejo. Nada foi guardado para si.

E depois de morrer por nós, ainda não ficou satisfeito. Voltou. Ficou. Instituiu a Eucaristia para poder permanecer nas nossas almas, unir-se a nós de um modo que nenhuma outra religião ousaria imaginar: entrar em nós, alimentar-nos com o próprio corpo.

E o que fazemos com isso?

A indiferença que se vê nas cidades, nas ruas, nas famílias – essa indiferença diante de tamanho amor – é o que faz o Coração de Jesus sangrar. Não é metáfora. É o que Ele mesmo disse a Santa Margarida Maria.

As 12 promessas que Jesus fez a quem abraçar essa devoção são concretas. Graças necessárias em cada estado de vida. Paz nas famílias. Consolo nas penas. Acolhimento na hora da morte. Fervor para as almas mornas. Perseverança para as fervorosas. Bênção sobre as casas onde sua imagem estiver no centro.

E a grande promessa: quem comungar nos nove primeiros sextas-feiras do mês, em estado de graça e com intenção de reparar as ofensas ao seu Coração, receberá a graça da perseverança final.

Não é promessa de vida fácil. É promessa de não morrer sem Deus.

Padre Pio disse algo que resume tudo: “O Coração de Jesus é uma mãe infinita onde todas as misérias humanas podem se perder.”

Se você ainda não começou essa devoção, não há melhor momento. Coloque a imagem do Sagrado Coração em sua casa. Consagre-se. Confie-lhe suas penas, suas inquietações, suas esperanças.

E depois saia do lugar. Quem tem boca fala. Quem tem boca e mão para dar três cliques pode compartilhar. Aqueles que propagam essa devoção participam da própria obra de Cristo e têm seus nomes inscritos no Coração de Jesus.

Sagrado Coração de Jesus, tende piedade de nós.

Acompanhe o canal Regina Fidei no YouTube para aprofundar sua devoção a Padre Pio e ao Sagrado Coração de Jesus.

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