Em Genebra, pronunciamento pelo Dia Mundial da Síndrome de Down reforçou o valor da vida das pessoas com Down.

No último dia 19 de março, a Fundação Jérôme Lejeune realizou em Genebra, na Suíça, um evento especial em celebração ao Dia Mundial da Síndrome de Down.
E, na ocasião, a Santa Sé voltou a se posicionar de forma clara e corajosa contra os chamados abortos eugênicos.
Essa prática consiste em interromper a gestação com base em diagnósticos de condições como a própria Síndrome de Down.
Assim, em muitos países, eliminam-se milhares de vidas antes mesmo que possam dar o seu primeiro testemunho ao mundo.
A Santa Sé defende a dignidade da vida desde a concepção
O Observador Permanente da Santa Sé junto ao Escritório das Nações Unidas em Genebra, Monsenhor Ettore Balestrero, participou do encontro e proferiu o discurso de abertura.
Durante sua intervenção, o prelado destacou algo fundamental: as pessoas com síndrome de Down são muito mais do que um simples diagnóstico.
Elas possuem dignidade inerente e um valor sagrado, que foram intencional e amorosamente conferidos pelo Criador desde o primeiro momento da concepção.
Esses valores, segundo o prelado, não podem ser medidos por critérios humanos de utilidade, desempenho ou conveniência.
Por isso, Monsenhor Balestrero afirmou, com firmeza e ternura, que:
“As pessoas com síndrome de Down devem desfrutar plenamente de seus direitos humanos e participar de forma significativa em todos os aspectos da sociedade e em todas as oportunidades de se desenvolver e florescer de maneira autêntica”.
Aborto Eugênico: Grave violação contra os mais vulneráveis
De acordo com o representante do Vaticano, a prática de selecionar quem pode ou não nascer com base em características genéticas representa uma grave violação dos direitos humanos.
Mais do que isso: trata-se de uma forma explícita de discriminação contra os mais vulneráveis, um julgamento cruel que decide quem merece viver e quem pode ser descartado.
O apelo de Monsenhor Balestrero, portanto, reforça o ensinamento constante da Igreja sobre a dignidade inviolável de toda vida humana.
A Igreja insiste, sem trégua, que toda vida possui valor, independentemente de quaisquer condições físicas ou intelectuais.
Porque não é a condição que define o valor de uma vida, mas o fato de ela ter sido desejada por Deus.
O valor da vida humana se funda no simples fato de ser criado à imagem e semelhança de Deus.
Vidas que florescem e contribuem com a sociedade
Outro ponto central do discurso foi lembrar que muitas famílias e pessoas com Síndrome de Down vivem plenamente e contribuem de forma significativa para a sociedade.
Elas são um sinal vivo de que a dignidade humana não depende de critérios de produtividade ou perfeição.
Assim, Monsenhor Balestrero condenou práticas discriminatórias e eugênicas, como o rastreamento pré-natal seguido da interrupção seletiva de gestações de bebês diagnosticados com a síndrome.
A Santa Sé tem defendido que políticas públicas e avanços médicos devem estar a serviço da vida, promovendo apoio às famílias, em vez de incentivar práticas que eliminam vidas consideradas “indesejadas”.
O tema, cada vez mais presente no cenário internacional, continua sendo amplamente debatido em diversos países.
Isso acontece especialmente com o avanço da prática de aborto assim que se identificam certas condições genéticas ainda durante a gestação.
Diante desse cenário, a Santa Sé lança um apelo em favor daqueles que ninguém defende e da beleza única de cada ser humano, desde o ventre materno até o seu fim natural.
E é justamente para continuar levando essa verdade, defendendo a vida e dando voz a quem não pode se defender, que este apostolado precisa permanecer firme.




