25/03 – Festa da Anunciação do Senhor pelo Arcanjo

Deus, Pai Celeste, criou todas as coisas. Por Seu Verbo, tudo se fez para que se cumprisse Sua vontade. No começo de tudo, foi o seu “Fiat” que deu início a toda a Criação visível e invisível. A Criação se desenrolou por seis dias, nos quais Deus, seguindo uma hierarquia, criou cada grupo de seres.

Por último, chegou ao apogeu das coisas criadas, o homem, a Sua imagem e semelhança.

O “Fiat” de Deus, na Santíssima Trindade, foi o primeiro. A Festa Litúrgica de hoje revive o “2º Fiat”, que foi dito não por Deus, mas por Maria de Nazaré.

Nosso Senhor, que não tinha obrigação alguma de fazer-se homem; Ele que não tinha o dever de nascer entre nós, uma vez que é o Senhor de toda a Criação. Ele quis se tornar um de nós, tomar nossa condição humana, entretanto sem partilhar do Pecado Original e suas sequelas.

E Ele fez isso, justamente… por ser o Senhor absoluto de toda a Criação! E nisso está a singularidade de Jesus Cristo. Ele poderia ter-nos deixado com a Antiga Aliança, e sermos todos judeus. Mas não. A Antiga Aliança ainda não era a plenitude do amor de Deus para conosco.

Então o Verbo Divino fez-se Filho Unigênito de Deus, e encarnou entre nós. Ele queria fazer a Lei atingir o seu ápice, dar cumprimento a ela. E então nasceu de uma Virgem eleita, cresceu, tornou-se homem e revelou-se como o Messias esperado pelos profetas. Porém, não só isso, por Seu Calvário, derramou o próprio sangue preciosíssimo para a remissão de todos os pecadores.

“Anunciação”, quadro de Fra Angelico, pintado por volta de 1435 (Museu do Prado, Madrid)

A singularidade de Nossa Senhora

Como diz uma oração antiga “Vós, que amastes tanto a virgindade, que por amor a ela chegastes a alegá-la ao celeste Arcanjo que Vos anunciava a honra inefável da maternidade divina; Vós, cuja virgindade foi tão amada por Deus, que o Espírito Santo praticou o milagre indizivelmente sublime de preservá-la” – eis como a Virgem Maria têm papel decisivo e grandioso na Encarnação do Filho de Deus.

Assim, o “2º Fiat” foi proferido por ela, que foi saudada pelo Arcanjo São Gabriel de um modo que nenhum Anjo se refere a criaturas mortais. 

Ela era consagrada a Deus no Templo de Jerusalém. Sabia o quanto a pureza vale para quem deseja viver pelo Senhor, resistindo à carne, ao mundo e ao demônio. Ela queria ser mãe, todavia, não consentiria em deixar a virgindade.

E Ele, que a tinha criado e eleito para esse fim, não poderia ver problema em uma condição que refletia sumamente a imagem e semelhança com que dotou a Mãe de Seu Filho Unigênito. Por isso, Ele então fez o milagre da Imaculada Conceição, que celebraremos em data vindoura.

Maria, com o seu “Sim” a Deus, tornou-se a Nova Eva – aquela que, ao contrário da primeira, obedece, e não se rebela contra Deus. O perdão e a salvação entraram então no mundo, com uma plenitude e eficácia como nunca antes.

Deus, assim, com a Nova Aliança, quis dar ao plano salvífico do homem como que a “coroa de toda a Criação”. Trata-se da Igreja Católica Apostólica Romana, que o Senhor concebeu na noite dos tempos, e que Ele favoreceria no momento certo, pois a Sua hora normalmente não é a nossa hora, e em tudo dependemos de Deus e de Sua Santa Igreja.

Grande eficácia vemos na obra de Deus, assim como expressou o evangelista: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio junto de Deus. Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito. Nele havia vida, e a vida era a luz dos homens. A luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam (…)’

Prossegue São João: “[O Verbo] era a verdadeira luz que, vindo ao mundo, ilumina todo homem. Estava no mundo e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o reconheceu. Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam. Mas a todos aqueles que o receberam, aos que creem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus, os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas sim de Deus. E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos sua glória, a glória que o Filho único recebe do seu Pai, cheio de graça e de verdade.” (João 1:1-14)


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