Na instituição da Eucaristia e do sacerdócio, Jesus quis permanecer entre nós até o fim dos tempos.

Na Quinta-feira Santa, a Igreja revive o instante em que o Amor decidiu permanecer sempre entre nós.
Este é o dia que abre o Tríduo Pascal e nos convida a acompanhar Jesus Cristo em sua maior demonstração de entrega.
É o início do caminho que culminará na vitória sobre a morte, o pecado, o sofrimento e o inferno.
No entanto, antes do madeiro, Jesus quis demonstrar o quanto nos amava e, para isso, instituiu os sacramentos pelos quais Ele permaneceria entre nós.
Um banquete desejado desde o princípio
“Tenho desejado ardentemente comer convosco esta Páscoa antes de sofrer” (Lc 22,15).
Dizendo essa frase, Nosso Senhor inaugura a noite que mudaria para sempre a história da humanidade.
O Cenáculo, o lugar onde Ele escolheu celebrar a Páscoa pela última vez, transforma-se no primeiro altar onde o próprio Deus, por Suas próprias mãos, se entregará como alimento.
Ele põe-se à mesa, toma pão, abençoa-o, parte-o e dá-o a Seus discípulos, dizendo:
“Tomai e comei, este é o meu corpo” (Mt 26, 26)
Toma do mesmo modo o cálice, abençoa-o e dá aos discipulos, dizendo:
“Bebei dele todos, porque este é o meu sangue do Novo Testamento, que será derramado por muitos para remissão dos pecados” (Mt 26, 28)
Com essas palavras, nasce a Eucaristia, a presença real de Jesus Cristo no meio dos seus seguidores, para que depois da Sua Ressurreição Ele pudesse dizer:
“Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos” (Mt 28,20).
Na Santa Missa, o que ocorreu nesta noite sagrada se torna presente em cada altar do mundo, alimentando os fiéis há mais de dois mil anos com o Pão descido do céu, corpo e sangue do Salvador.
E é justamente para que essa presença não se interrompa que Cristo dá à Igreja algo igualmente fundamental.
O Sacerdócio: “Fazei isso…”
Ainda nessa mesma ceia, Jesus institui algo igualmente fundamental: o sacerdócio ministerial.
Para que Nosso Senhor permaneça entre nós, é preciso que haja quem o torne sacramentalmente presente.
E é exatamente isso que Ele faz na mesma noite. Como sumo pontífice, institui o sacerdócio com esta única palavra:
“Fazei isso em memória de mim” (Lc 22,19)
Isso não era apenas um convite, uma sugestão, mas um mandato divino.
Ao ordenar os apóstolos, Nosso Senhor lhes confia o poder de transformar o pão e o vinho no corpo e no sangue de Jesus.
Assim, nasce o sacerdócio católico. Homens chamados a agir in persona Christi (na pessoa de Cristo), perpetuando pelos séculos futuros a presença de Jesus junto aos homens.
Uma missão que atravessa dois milênios e tem sua origem naquela noite, no Cenáculo, diante do olhar dos doze apóstolos.
Um chamado à intimidade com o Senhor
No entanto, essa noite também revela a ferida da solidão.
Após a ceia, depois de instituir os sacramentos que o fariam ficar para sempre junto aos homens, Jesus segue para o Horto das Oliveiras.
Sua alma está triste, pois Ele pressente os sofrimentos que virão.
Logo será traído por Judas, negado por Pedro, e abandonado pelos demais, sofrendo não apenas a dor da traição, mas também o abandono de quem poderia fazer-lhe companhia.
Diante desse cenário, cada católico é chamado a pagar amor com amor.
Assim como outrora, Nosso Senhor pergunta: “Vocês não podem vigiar uma hora comigo?” (Mt 26,40).
Porque, nesta noite santa, o Deus de Amor se eternizou no silêncio do altar.
E continua a esperar, em silêncio, por mim e por você.
E é assim que Ele continua sendo conhecido, amado e não esquecido ao longo dos séculos.
Se este apostolado te ajuda a permanecer com Ele, ajude também a mantê-lo de pé.




