Mais do que abrir mão do chocolate, este é o momento de reordenar a alma e devolver Deus ao centro da vida.

A cada ano, quando a Quaresma começa, muitas pessoas já sabem qual será o “sacrifício” escolhido: cortar o chocolate, abandonar o refrigerante ou deixar a sobremesa de lado por 40 dias.
No entanto, a Igreja propõe muito mais do que uma “dieta coletiva” ou uma simples privação alimentar. Ela propõe mudança concreta de vida.
O risco está em se contentar com uma pequena renúncia que é incapaz de conduzir a uma verdadeira conversão.
O perigo da penitência superficial
Imagine um homem que se decide a deixar o chocolate durante os próximos quarenta dias.
Ele recusa o doce com firmeza quando o oferecem; contudo, continua repetindo os mesmos pecados: irrita-se com facilidade, alimenta ressentimentos, negligencia a oração, vive distraído.
De que adianta deixar o chocolate se a vida de oração (que para muitos é a maior fonte de penitência) é tíbia e quase inexistente?
Externamente, parece que está fazendo um grande sacrifício, mas interiormente, permanece o mesmo.
Se a prática quaresmal se limitar a “ficar 40 dias sem doce”, porém sem oração, sem caridade e sem um combate real ao pecado, chegará à Páscoa do mesmo modo que estava na Quarta-feira de Cinzas.
O jejum ao qual a Igreja convida neste tempo não é simplesmente cortar calorias, mas para ordenar desejos e devolver a Deus o lugar que foi tomado por diversas distrações.
Como viver a Quaresma de verdade
A tradição católica aponta, para vivermos bem este tempo quaresmal, três pilares inseparáveis: oração, jejum e caridade.
Essas três práticas não funcionam isoladamente, precisam ser vividas em conjunto para se completarem.
Mas como vivê-las? Vejamos de maneira concreta.
Oração: separe 10 minutos por dia de silêncio para conversar com Deus. Não se trata apenas de rezar algumas preces decoradas, mas de gastar tempo para uma intimidade maior com Deus.
Reserve um tempo no silêncio para se colocar em Sua presença e ouvi-Lo. É no silêncio que a consciência desperta e a conversão começa.
Jejum: aqui entra o “deixar o doce” (ou qualquer outra coisa).
Quando digo “não” a um chocolate, ao refrigerante ou a uma sobremesa, estou treinando minha vontade para resistir ao que me afasta de Deus: a preguiça, a raiva, a fofoca, o egoísmo.
Ao sentir o vazio deixado por aquilo que renunciei, lembro que só Deus pode preencher o vazio mais profundo do meu coração.
Por isso, em vez de apenas tirar um alimento, escolha um propósito que diminua aquilo que distrai e endurece o coração, para fortalecer o que aproxima de Nosso Senhor.
Caridade: Se estou mais perto de Deus (oração) e menos preso a mim mesmo (jejum), meu olhar se volta naturalmente para a necessidade do outro.
A economia que faço com o jejum (o dinheiro do doce que não comprei) pode ser usada para gestos concretos de amor ao próximo: fazer uma doação a uma obra apostólica, visitar um doente, ter paciência com um familiar, ajudar a quem precisa.
Uma maneira especial de viver essa caridade é apoiar quem leva adiante a fé católica e a devoção a São Pio de Pietrelcina.
Inscreva-se no grupo Filhos Protegidos do Padre Pio.
Decidir-se pela Conversão
No fundo, viver a Quaresma vai muito além de abrir mão de um doce. É uma travessia interior, como a do Filho Pródigo.
É admitir que nos afastamos de Deus, abandonar a ilusão da autossuficiência, confessar nossos pecados e retomar o caminho da graça com decisão firme.
No final dos quarenta dias, a meta não é chegar ao Domingo de Páscoa feliz por ter resistido ao chocolate, porque essa não é a verdadeira finalidade da Quaresma.
A Quaresma é um tempo favorável para abrir o coração e permitir que a graça de Deus restaure aquilo que o pecado desordenou.
É por isso que o apóstolo São Paulo proclama com autoridade:
“Deixai-vos reconciliar com Deus” (II Cor 5,20).
Portanto, deixar o doce até pode ser uma boa resolução, mas ela será inútil se não o conduzir à verdadeira conversão do coração.




