
No dia 20 de janeiro de 2026, a sede da Associação Regina Fidei, em Vila Nova de Gaia (Porto), acolheu uma palestra proferida por seu presidente, Odair Gutirres, com o tema:
“Por que o Sagrado Coração de Jesus protege Portugal
e que futuro podemos esperar para a paz.”
O encontro reuniu um público atento e profundamente interessado, composto por apoiadores da missão da Regina Fidei, membros do grupo Filhos Protegidos do Padre Pio, e participantes vindos de diferentes cidades, alguns dos quais se encontraram pessoalmente pela primeira vez após anos de convivência espiritual à distância.
Ao final da exposição, o clima foi de proximidade, reconhecimento mútuo e fortalecimento de laços, confirmando o surgimento, em Portugal, de um grupo ainda pequeno, mas coeso e fiel, unido por convicções comuns e por um apostolado centrado no Sagrado Coração de Jesus e na espiritualidade de São Pio de Pietrelcina.
Uma pergunta que atravessa a história
Logo no início da palestra, Odair Gutirres chamou a atenção para um fato histórico difícil de ignorar: ao longo dos séculos, Portugal atravessou guerras devastadoras, crises internas profundas, colapsos políticos continentais e transformações culturais que destruíram nações maiores, mais ricas e mais poderosas. Ainda assim, Portugal permaneceu de pé.
Segundo o expositor, essa permanência não pode ser explicada apenas por fatores geográficos, diplomáticos ou políticos. Ela exige uma explicação mais alta, que leve em conta decisões espirituais concretas tomadas no curso da história nacional.
A consagração de Portugal ao Sagrado Coração de Jesus
Nesse contexto, foi lembrado um ato decisivo, frequentemente esquecido pela historiografia corrente: em 1790, quando a Europa já caminhava para a grande ruptura revolucionária, a Rainha Dona Maria I consagrou oficialmente Portugal ao Sagrado Coração de Jesus.
Durante a palestra, foi explicado que consagrar um país não é um gesto simbólico ou meramente devocional. Trata-se de um reconhecimento público de que a ordem política não é absoluta e de que o poder humano está submetido a uma ordem superior. Ao consagrar a nação, Portugal se colocou, enquanto corpo político, sob o senhorio espiritual de Nosso Senhor.
Esse ato, destacou-se, representou uma lucidez sobrenatural num momento em que a Europa caminhava rapidamente para o oposto: a autonomia absoluta do Estado e a expulsão de Deus da vida pública.
A queda da cristandade política e a perseguição religiosa
Poucos anos depois, a Revolução Francesa marcou uma ruptura sem precedentes na história europeia. Não se tratou apenas da queda de uma monarquia, mas da queda da cristandade política: os Estados deixaram de reconhecer Deus publicamente e passaram a tratar a Igreja como obstáculo.
Seguiu-se uma perseguição religiosa real e amplamente documentada. Igrejas foram fechadas ou profanadas, mosteiros dissolvidos, membros do clero perseguidos, presos ou exilados. Em muitos lugares, o culto público foi proibido, e tentou-se até substituir o Cristianismo por cultos civis à chamada “Razão”.
Portugal, embora atingido pelas ondas de choque desse processo, não entrou nessa lógica de descristianização radical. Sofreu invasões e pressões, mas não rompeu oficialmente com a fé nem declarou guerra à Igreja.
Guerras que destruíram impérios… e Portugal permaneceu
Ao longo do século XIX, as guerras napoleônicas redesenharam o mapa europeu. Reinos desapareceram, fronteiras foram alteradas e ordens históricas inteiras ruíram. Portugal foi invadido e sofreu duramente, mas não desapareceu. Manteve continuidade territorial, identidade histórica e consciência nacional, sendo um dos raríssimos países europeus que atravessaram esses séculos sem colapso.
No século XX, o cenário se repetiu em escala ainda maior. A Primeira Guerra Mundial devastou a Europa, deixando milhões de mortos, impérios seculares destruídos e nações mutiladas. Portugal participou do conflito e sofreu perdas humanas dolorosas, mas não foi desintegrado nem dissolvido como tantas outras nações.
Foi nesse contexto que, em 1917, no auge da guerra, Nossa Senhora apareceu em Fátima e fez uma afirmação única na história das aparições marianas:
“Em Portugal conservar-se-á sempre o dogma da fé.”
Segundo foi explicado na palestra, essa frase não é apenas uma promessa espiritual genérica, mas uma chave para compreender a ligação entre fé, identidade nacional e futuro histórico.
A Segunda Guerra Mundial e a preservação inexplicável
Na Segunda Guerra Mundial, Portugal ocupava uma posição estratégica vital no Atlântico. Países neutros foram invadidos e submetidos a enorme pressão militar e geopolítica. Ainda assim, Portugal permaneceu intocado militarmente.
A diplomacia explica parte desse fenômeno, mas não explica o conjunto. A sucessão coerente dos fatos aponta, segundo o expositor, para uma proteção providencial constante, iniciada pela consagração e confirmada em Fátima.
O mundo atual e a nova crise europeia
A palestra avançou então para o cenário contemporâneo. O mundo volta a viver tensões estruturais profundas, com conflitos armados, instabilidade econômica, polarização ideológica e, sobretudo, uma crise moral e cultural sem precedentes.
A Europa atravessa uma transformação demográfica e espiritual acelerada. Cerca de 6% da população europeia já é muçulmana, com crescimento sustentado por imigração e taxas de natalidade mais altas, enquanto a população nativa apresenta índices muito abaixo do nível de reposição.
Mas, como foi sublinhado, o problema não é apenas numérico. É cultural e simbólico.
Quando uma civilização renuncia a si mesma
O traço mais grave da crise europeia atual não é a pressão externa, mas a renúncia interna. Em nome de uma pseudo neutralidade, o Ocidente apaga seus próprios símbolos, abandona tradições cristãs e aceita o silêncio religioso como virtude.
Presépios são proibidos em espaços públicos, símbolos cristãos são retirados, igrejas são fechadas, vendidas ou transformadas em espaços profanos. A fé cristã passa a ser tolerada apenas se invisível.
Como foi afirmado na palestra, uma civilização não cai primeiro pela força. Cai quando deixa de se defender.
O contraste português e a responsabilidade
Nesse contexto, Portugal ainda conserva algo que grande parte da Europa perdeu: memória histórica, identidade cristã, vínculo mariano e a consciência — ainda que enfraquecida — de que existe uma promessa que o precede.
Isso não foi apresentado como mérito humano, mas como graça. E toda graça, foi enfatizado, impõe uma condição: fidelidade.
A objeção de que “somos poucos” também foi abordada. Segundo o expositor, essa objeção ignora a lógica da história cristã. O Cristianismo não começou com multidões, mas com doze homens fiéis. Portugal não nasceu de consensos, mas de convicções. Fátima não falou às massas, mas a três crianças.
Deus não vence pela quantidade, mas pela fidelidade.
Um grupo pequeno, mas fiel
Ao final da palestra, os participantes permaneceram reunidos, conversando, trocando experiências e estreitando relações. Muitos dos presentes, já integrantes do grupo Filhos Protegidos do Padre Pio, puderam finalmente se conhecer pessoalmente. Outros vieram de cidades diferentes, movidos pelo desejo de formação e fidelidade.
O encontro confirmou, assim, o surgimento, em Portugal, de um núcleo pequeno, mas consciente, que começa a assumir, de forma discreta e perseverante, uma tarefa de apostolado especialmente voltada ao Sagrado Coração de Jesus e inspirada na espiritualidade de São Pio de Pietrelcina.
Se você se reconhece neste desejo de formação, fidelidade e amor ao Sagrado Coração de Jesus, venha fazer parte desta família espiritual.
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Conclusão
A palestra foi encerrada com uma síntese clara: Portugal pode ser a última chama acesa num continente que já não sabe o que é luz. E uma chama não se mede pelo tamanho, mas pela fidelidade com que permanece acesa.
Se a fidelidade for preservada, a história ainda pode ser reordenada. Se houver capitulação, perder-se-á não apenas o futuro, mas também o sentido do passado.






Respostas de 2
É verdade, oremos para que o Sagrado Coração de Jesus e Nossa Senhora Virgem Santíssima nos proteja das guerras e que aumente a fé em cada um de nós.
Com Deus tenho fé que irá acontecer, peço que o Santo Padre Pio interceda por nós..
Amem
Que Nosso senhor Jesus Cristo tenha misericórdia de todos nós