Entre a blasfêmia que desfilou e a cinza que ostentamos, o silêncio dos que viram tudo e nada fizeram.

Não é novidade que os tempos atuais se tornaram marcados pela impureza e pela ausência de pudor. Ainda assim, a cada ano, a realidade parece se agravar.
O Carnaval de 2026, porém, levou essa realidade a um novo patamar.
O que se viu nas ruas, nos desfiles e nos palcos espalhados pelo país foi a celebração de tudo aquilo que afasta o homem da graça de Deus.
O Mal Aclamado em Rede Nacional
Basta observar as ruas, mas nem é preciso. Os jornais, os canais de TV, as redes sociais mostraram tudo.
E as pessoas ainda sentem um certo tipo de orgulho em se exibirem pintadas, fantasiadas, seminuas, bêbadas, drogadas…
Exibem-se como troféus da própria libertinagem, presos à realidade terrena que conduz somente à perdição da alma.
O que se viu nos desfiles das escolas de samba?
Em São Paulo e no Rio de Janeiro, viu-se exaltação às bruxas, ao horóscopo, aos demônios do candomblé e a Chico Xavier, figura central e amplamente questionada do espiritismo.
Entretanto, o que mais impressiona não é apenas a imoralidade. É a blasfêmia impune, que neste ano superou em gravidade tudo o que se viu anteriormente.
Quando a escola de samba desfila com alas dedicadas a entidades do candomblé, o que houve foi louvor oferecido a demônios, uma liturgia satânica celebrada às claras.
Outrora blasfemavam as imagens sacras: Nosso Senhor, Nossa Senhora, os santos…
Neste ano o mal foi aclamado em praça pública, transmitido pela TV e pela internet. E as pessoas nem se chocam mais!
A Fé Desfigurada em Nome da Diversão
Enquanto os trios elétricos avançam e os desfiles deslumbram multidões, os homens deixaram de louvar a Deus para louvar tudo que o ofende.
A imoralidade, as falsas religiões, e isso, tragicamente, alcança também as crianças, influenciadas por seus próprios pais.
Assim, a sociedade se afunda no lamaçal do pecado, de onde brotam toda sorte de maldades.
Mas o mais grave é a cegueira espiritual: muitos já não percebem que caminham numa realidade de morte, causada pela devassidão que se espalha vendida como entretenimento inocente.
Nos embalos de músicas abertamente imorais, de sambas enredos que exaltam os erros, acreditam estar apenas se divertindo.
Mas, silenciosamente, apagam de suas mentes qualquer pensamento sobre a vida eterna e o julgamento, aquele pelo qual todos nós haveremos de passar.
Isso sem falar nos católicos que participaram disso.
Tivemos padres que chegaram a abençoar blocos carnavalescos. No Rio de Janeiro, causou surpresa que até mesmo Dom Orani João Tempesta tenha visitado a Cidade do Samba e concedido bênçãos a pavilhões às vésperas dos desfiles.
Enquanto isso, várias paróquias fecharam as portas “porque não tem ninguém mesmo no Carnaval”.
Sem falar em todos que disseram que “o Carnaval não é tão grave assim”, que “é só folclore”, que “o povo precisa se distrair”.
E nós, os que deveríamos reparar, o que fizemos?
Ainda é tempo de reparar: clique e acenda agora uma vela em desagravo pelos pecados cometidos neste Carnaval.
A Tibieza Que Alimenta o Escândalo
Nada. Ou tão perto do nada que a diferença é imperceptível aos olhos de Deus. Fizemos postagens piedosas no Instagram enquanto o demônio desfilava na Sapucaí.
Rezamos um terço distraído enquanto milhares dançavam ao som de músicas cujas letras seriam vergonhosas até no inferno.
Nos indignamos no grupo da família no WhatsApp e depois fomos dormir com a consciência aliviada, como se a indignação virtual fosse virtude.
Como se o dedo acusador apontado para a tela substituísse o joelho dobrado no chão, a cara na poeira, o jejum verdadeiro, a mortificação, a reparação.
Vimos a blasfêmia impune — infinitamente mais grave que a imoralidade — erguer altares pagãos com dinheiro público.
Enquanto isso, nossos altares definham ou, pior: vivem cheios de fiéis mornos que comungam com a mesma mão que, dias antes, acenava para os carros alegóricos.
Em 1940, Nosso Senhor queixava-se à Irmã Lúcia da “tibieza, indiferença e vida demasiado cômoda” dos sacerdotes, religiosos e fiéis de Portugal.
Seu pedido era explícito: que em Portugal fossem abolidas as festas profanas nos dias de carnaval, substituindo-as por orações, sacrifícios e preces públicas.
O que dirá de nós, brasileiros, que permitimos que seu Nome seja blasfemado impunemente nas ruas de um país que ergueu o Cristo Redentor e consagrou-se ao Sagrado Coração de Jesus?
Se a Virgem Maria anunciou castigo condicionado à falta de reparação, imaginem as desgraças que atrairemos sobre o Brasil com a blasfêmia que foi o Carnaval de 2026.
Não somos vítimas, somos cúmplices. E, de todos os pecados cometidos nos últimos quatro dias, porque nós vimos, soubemos e nada fizemos para reparar ou impedir.
Cinzas na Testa, Vida Intocada?
E hoje, Quarta-feira de Cinzas, teremos filas. Hoje você vai entrar na fila e esperar pacientemente a sua vez.
Vai caminhar com passo contrito (ou pelo menos com o andar de quem quer parecer contrito), inclinar a cabeça diante do sacerdote e ouvir: “Lembra-te que és pó e ao pó voltarás”.
Talvez sentir — por alguns segundos, talvez — um leve desconforto, uma pontada de culpa rapidamente anestesiada pela estética do rito.
Acabada a missa, vai almoçar ou jantar, quem sabe lembre que hoje era dia de jejum e abstinência e não coma nada.
Vai voltar para casa e, no fundo, sentir-se em paz — porque cumpriu sua obrigação anual de lembrar que é pó.
Mas a cinza seca e desaparece; os pecados cometidos nos últimos quatro dias, esses não!
Não deixe que tudo termine em um gesto vazio: acenda uma vela de reparação pelas ofensas que os homens fizeram a Deus neste carnaval.
Que Deus tenha misericórdia de nós!
E que Nossa Senhora Aparecida, rogue por nós e não nos deixe ser castigados pela nossa omissão e pelos demais pecadores que Vos ofendem.




