O que os santos descobriram sobre o sofrimento das almas em purificação.

As Almas do Purgatório estão num estado de sofrimento que a nada se pode comparar e nem se pode fazer uma ideia.
Santo Tomás de Aquino afirma que suas penas ultrapassam todos os sofrimentos deste mundo, mas que existe uma, acima de todas, que é o mais terrível dos martírios.
Essa é a realidade descrita por almas santas que, por graça divina, puderam espiar além do véu da nossa existência terrena.
Elas revelam que as Almas do Purgatório sofrem um tormento que não é o que muitos pintam nas paredes das igrejas.
O Que Foi Revelado a uma Santa
Na quietude de um convento na Polônia do século XX, Santa Faustina Kowalska, a quem Jesus confiou os segredos de sua Misericórdia, vivia uma vida de oração e sacrifício.
Sua rotina, porém, era interrompida por visões celestiais e diálogos com Nosso Senhor e Sua Mãe Santíssima.
Em seu agora famoso “Diário: A Misericórdia Divina na Minha Alma”, ela relata ter sido levada ao Purgatório por seu Anjo da Guarda. Narrando esta visita, ela escreve:
“Em um momento me encontrei em um lugar nebuloso, cheio de fogo e havia ali uma multidão de almas sofrendo. Estas almas estavam orando com grande fervor, mas sem eficácia para elas mesmas; somente nós podemos ajudá-las”.
Santa Faustina também falou com as Almas do Purgatório e, com o coração apertado, fez-lhes uma pergunta decisiva:
– Qual é o vosso maior tormento?
A resposta que ecoou como um coro uníssono de infinita dor, foi mais dolorosa:
– A saudade de Deus!
Um silêncio solene deve ter tomado conta daquela visão. Sim, uma saudade avassaladora, o anseio do exílio pelo lar.
Aquela revelação íntima, contudo, ecoava uma verdade que já havia sido intuída por grandes mestres da vida espiritual.
O Alerta de um Doutor da Igreja
Cento e cinquenta anos antes, na Itália, um doutor da Igreja, já intuía a mesma verdade.
Santo Afonso Maria de Ligório, mergulhando nos escritos dos santos e na tradição, tentou explicar essa dor única e foi direto ao ponto:
“O maior tormento das almas do Purgatório é o desejo de possuir Deus, que ainda não possuem.”
Só a imagem da sede pode traduzir bem o que elas sentem. É como se clamassem continuamente:
“Como a corça anseia pelas águas, assim minha alma suspira por vós, ó meu Deus. Minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando irei contemplar a face de Deus? Minhas lágrimas se converteram em alimento dia e noite, enquanto me repetem sem cessar: Teu Deus, onde está?” (Sl 42[41],1-3).
É, portanto, uma sede — mas não uma sede que um copo d’água sacia. Ou talvez uma saudade por alguém que amamos, mas que não podemos ter perto.
A alma no Purgatório viu a Deus no seu juízo particular, compreendeu Seu Amor infinito e passou a ansiar por se lançar em Seu abraço definitivo.
Mas as manchas do egoísmo, da negligência, da falta de amor verdadeiro impediram a união plena.
Essa tensão – entre o vislumbre e o abraço, entre o chamado e a incapacidade de correr – é um suplício que consome como o fogo.
Por que as Almas sofrem esse Tormento?
Você deve ter se perguntado: por que elas são punidas dessa maneira? Santo Afonso responde, sem titubear: “Porque desejaram pouco o Céu”.
Aqui está o cerne da questão. O castigo aplicado não foi arbitrário: o primeiro mandamento da Lei de Deus é claro: Amar a Deus sobre todas as coisas!
Cada vez que preferimos as coisas efêmeras desta vida ao invés de desejar a Deus e buscá-Lo, ofendemos Aquele que merece ser amado “com todo o coração, toda a alma e todas as forças” (Mc 12,30).
Mais além de ser uma ofensa a Deus, é também um mal que causamos a nós mesmos.
Pois, como ensina Santo Agostinho: “Fizeste-nos, Senhor, para Ti, e o nosso coração anda inquieto enquanto não descansar em Ti” (Confissões, I, 1,1).
Portanto, esse desejo por Deus, muitas vezes abafado nesta vida, no Purgatório fica explícito e é o maior sofrimento.
Há almas que hoje sofrem exatamente por terem amado pouco a Deus. Agora, já não podem mais fazer nada por si. Se nós não lembrarmos delas, quem lembrará?
Conheça a Liga de Resgate das Almas do Purgatório e ajude quem hoje depende da caridade dos vivos.
E Você, O Que Tem Desejado Hoje?
O alerta de Santo Afonso deixa um questionamento que não pode ser ignorado: como está o desejo do seu coração?
A vida corrida, as preocupações, os prazeres imediatos… Eles têm sufocado seu anseio pelo Céu?
A visão de Santa Faustina e o ensinamento de Santo Afonso são um alerta para o perigo da tibieza, de uma vida morna e acostumada a viver distraída do essencial.
Elas revelam uma verdade que deve mudar nossa perspectiva: o maior tormento do Purgatório não é uma pena nova aplicada por Deus.
É a mesma dor da alma que, já nesta vida, suspirava pelo seu Criador, mas que era constantemente abafada, ignorada e anestesiada pelos prazeres passageiros deste mundo.
O Purgatório apenas põe às claras, de forma definitiva e inescapável, esse sofrimento íntimo carregado por toda a vida.
Inscreva-se na Liga de Resgate das Almas do Purgatório e ofereça sufrágios por quem aguarda, em silêncio, a misericórdia dos vivos.




