A perseguição que o mundo ignora e o preço de ser fiel até as últimas consequências.

O vento quente sopra sobre a poeira das ruas de León, mas não há alívio no ar. Em uma pequena paróquia, o som da chave girando na fechadura não anuncia o fim do dia, mas o fim de uma missão.
O Padre José Concepción Reyes Mairena olha pela última vez para o altar antes de ser arrancado de sua terra.
O silêncio que se segue não é de paz, mas de medo. Enquanto você toma seu café tranquilamente, o número de religiosos expulsos, exilados ou impedidos de voltar para casa na Nicarágua já chegou a 309.
Mais de 95% desses homens e mulheres são filhos daquela mesma terra, agora estrangeiros em sua própria pátria.
Por que o mundo se cala diante do garrote que aperta o pescoço da Igreja?
A Máscara que Caiu
Muitos ainda acreditam em slogans vazios de “governo do amor”. Mas o amor não expulsa quem serve aos pobres e prega a verdade. O amor não persegue.
O que vemos na Nicarágua é o ódio antigo vestido com roupas novas, tentando apagar a luz da fé para que as trevas do controle total prevaleçam.
Cada padre expulso é uma comunidade que fica sem o Pão dos Anjos. Cada freira exilada é um orfanato ou hospital que perde sua alma.
O ataque não é contra indivíduos, é contra o próprio Corpo de Cristo. Se eles ferem um membro, todos nós deveríamos sentir a dor.
A neutralidade diante do mal é a assinatura da própria derrota.
O Relatório da Dor
Uma pesquisadora, Martha Patricia Molina, vive na pele o que descreve. Exilada, ela documenta o que chama de “Nicarágua: Uma Igreja Perseguida”.
Os números são de arrepiar: mais de 1.070 ataques contra a Igreja Católica registrados até agosto de 2025.
Não são apenas estatísticas frias em um papel. São sacrários violados, procissões proibidas e vozes silenciadas pelo peso da bota estatal.
O cheiro de cera queimada nas igrejas está sendo substituído pelo cheiro de medo nas sacristias. Onde o Estado quer ser Deus, o primeiro alvo é sempre o verdadeiro Deus.
A Escolha da Irmã Clara
Imagine Clara, uma religiosa que dedicou trinta anos ao ensino de crianças em Manágua. Uma noite, bateram à sua porta.
Sem malas, sem despedidas, apenas a ordem de sair. No caminho para a fronteira, ela segurava um terço de madeira, as contas gastas pelo uso.
Ao cruzar a linha, ela não amaldiçoou seus perseguidores. Ela olhou para trás e rezou por aqueles que a expulsavam.
Naquele momento, Clara era mais livre do que qualquer ditador. Ela perdeu o teto, mas manteve a alma intacta. A fé que não suporta a prova nunca foi fé de verdade.
O Triunfo de Nosso Senhor Jesus Cristo
A história nos ensina que a Igreja cresce sob a pressão. Nosso Senhor Jesus Cristo já venceu o mundo, e as portas do inferno não prevalecerão. Santíssima Virgem, que sentiu a dor do exílio no Egito, protege cada um desses 309 religiosos que hoje não têm onde reclinar a cabeça.
Nós não podemos lutar com armas na Nicarágua, mas podemos lutar com a verdade aqui. Ignorar o sofrimento dos nossos irmãos é permitir que o algoz continue seu trabalho.
A Regina Fidei levanta essa voz para que você acorde do sono da indiferença. O sangue dos mártires continua sendo a semente de novos cristãos.
O Passo de Hoje
Não deixe que a notícia de hoje seja apenas mais um “post” que você ignora. Tome uma decisão de se informar, de rezar e de apoiar quem defende a fé com a própria vida. A liberdade religiosa é o termômetro da alma de uma nação.
Santíssima Virgem, Rainha da Fé, fortalece os vossos filhos perseguidos e converte o coração dos opressores pela luz de Nosso Senhor Jesus Cristo.




