Uma meditação corajosa sobre a luta silenciosa da mulher fiel em meio à sociedade hostil à virtude.
Há uma guerra oculta, mas feroz, travada todos os dias nos salões elegantes, nas rodas sociais e até nas reuniões familiares. Nela, não há armas visíveis, mas há um campo minado de julgamentos, risos velados e exclusões impiedosas. No centro dessa batalha, está a mulher católica que decide não trair sua fé.
Quando a virtude vira escândalo
Imagine uma senhora que passou anos em uma região distante, como o interior do Brasil, ao lado do marido que enriqueceu trabalhando longe dos centros urbanos.
Ela retorna à cidade grande, trazendo consigo modos, valores e até vestimentas que destoam do ambiente atual. Seu crime? Ser modesta, discreta e fiel aos Mandamentos.
Ela logo percebe que não pertence mais ao “clube das aceitas”. Ninguém quer ouvir suas histórias sobre a pequena cidade onde morou. Suas roupas são consideradas “fora de moda”.
Suas reações diante do divórcio ou da imoralidade reinante são vistas como ofensas. Ela passa de senhora distinta a “esquisita”, “fora do tempo”, “moralista”.
A pressão silenciosa para apostatar
O mundo não persegue diretamente. Ele ignora, ri, exclui. Ou então, exige. Exige que a mulher católica mude seu modo de vestir, que aceite como “normal” aquilo que é pecado, e a modéstia como repressão.
Se ela ousa dizer: “isso é contra a Lei de Deus”, ela se torna uma bomba atômica dentro da sala. Todos se calam. Mas não por respeito: por escárnio contido. Se ela silencia para não ser rejeitada, cai na apostasia interna. E o dilema se impõe: ou cede, ou é apagada socialmente.
Quando a fidelidade custa a reputação
A situação da mulher fiel se torna mais difícil a cada ano. A moda, os costumes, os ambientes sociais a repelem se ela ousa ser coerente.
Mesmo aquelas que nunca saíram das grandes cidades e foram fiéis enfrentam essa marginalização. É o preço de pertencer a Nosso Senhor num mundo que já O crucificou.
Não basta ser honesta. É preciso ser espirituosa, rica, charmosa ou… escandalosamente imoral. Caso contrário, é ignorada. Essa é a nova “seleção natural” das elites sociais.
E mesmo nas férias, onde vai? Se for à praia, verá trajes que desafiam qualquer limite de pudor. Se não for, é considerada uma mulher triste, antissocial. É um cerco completo.
Há uma saída: criar um mundo paralelo.
Sim, um “mundo fechado”, onde mulheres que conservam a fé se unam. Não importa o prestígio que tenham no mundo, pois cada uma pode ser uma referência para outras. Um pequeno grupo pode dizer: “nós somos nós, e queremos agradar a Deus”.
Esse grupo, mesmo que visto como insignificante pelos que têm status, pode ser salvação para muitos. Para aquelas almas que sofrem caladas, que sentem vergonha de sua modéstia, que se calam para não perder amizades, mas que ainda ardem de amor por Cristo.
A beleza escondida para Deus
Madre Beatriz da Silva, fundadora das Concepcionistas, era tão bela que usava um véu para não ser admirada. A Providência a chamou para o convento, e ela obedeceu. Deus a quis escondida, como flor que só Ele vê. E a Igreja, séculos depois, a beatificou.
O mundo poderia tê-la transformado em uma estrela. Ela preferiu ser uma lâmpada oculta aos olhos do mundo, mas acesa diante de Deus. O que isso nos ensina? Que há almas chamadas a não brilhar no palco da fama, mas a brilhar no silêncio da fidelidade.
Na era da apostasia, a fidelidade é revolucionária.
Se hoje nascesse uma mulher com a beleza, virtude e talento de Madre Beatriz, e ousasse criar uma moda que exalasse pureza e recato, seria ridicularizada.
O mundo, mesmo reconhecendo sua beleza, a desprezaria. Porque não é a beleza que o mundo quer — é a cumplicidade no erro.
Mas há esperança. E há glória.
A mulher fiel talvez não suba ao trono da sociedade. Mas subirá aos olhos de Deus. E é por essas almas que Ele ainda sustenta o mundo.
***