O Natal das Almas: o Purgatório e a caridade cristã pelos defuntos

Plinio Corrêa de Oliveira (adaptação jornalística a partir de uma conferência de 1973).

No calendário cristão, o Natal é a festa por excelência dos vínculos: familiares, espirituais, humanos.

É o tempo em que se trocam gestos de afeto, orações, votos de bem, sinais concretos de lembrança.

Existe, porém, uma ideia menos conhecida, embora profundamente católica: a de um “Natal das almas”, voltado não aos vivos, mas àqueles que se encontram no Purgatório.

Segundo o ensinamento da Igreja, o Purgatório é uma realidade concreta, assim como o são o Céu e o Inferno. Trata-se do lugar da purificação final das almas que morreram em estado de graça, mas que ainda não expiaram plenamente as consequências de seus pecados.

O Purgatório: fogo que purifica, não que condena

No Purgatório, as almas sofrem penas reais e intensíssimas. A tradição católica fala de um fogo purificador, terrível em sua intensidade, porque atua diretamente sobre a alma.

As dores ali experimentadas, segundo numerosos testemunhos de santos, superam qualquer sofrimento possível nesta vida.

São almas absolvidas dos pecados mortais e, portanto, não condenadas, mas que ainda não satisfizeram plenamente a justiça divina.

Podem também ser almas marcadas por pecados veniais não devidamente expiados. Antes de entrar na visão de Deus, precisam passar por essa purificação.

Algumas revelações privadas descrevem penas que se prolongam por períodos muito longos.

Há uma visão, atribuída ao século XV, que fala de uma alma destinada a permanecer no Purgatório até o fim do mundo. A imagem é simbólica, mas ajuda a compreender a gravidade e a duração dessas penas.

A diferença essencial entre Purgatório e Inferno

Apesar da intensidade dos sofrimentos, o Purgatório se distingue radicalmente do Inferno por dois elementos fundamentais.

O primeiro é que as almas do Purgatório estão em estado de graça. Elas amam a Deus, são amadas por Deus e aceitam a justiça de sua purificação. Sabem que devem sofrer e compreendem o sentido reparador desse sofrimento.

O segundo é a certeza da salvação. Toda alma no Purgatório sabe que um dia entrará no Céu. Não pode mais pecar, não pode mais cair, não pode mais se perder.

Cada instante de sofrimento é, por assim dizer, um passo em direção à libertação definitiva.

Em sentido oposto, a alma condenada odeia a Deus, está separada d’Ele para sempre e não possui qualquer esperança. Essa ausência total de esperança é o que torna o Inferno radicalmente diverso do Purgatório.

Se as almas do Purgatório sofrem, se aguardam auxílio, se caminham para o Céu passo a passo, a caridade dos vivos deixa de ser opcional e se torna um dever.

Clique agora e una-se à Liga de Resgate das Almas do Purgatório, assumindo um compromisso concreto de oração e sufrágio por aquelas que já não podem mais fazer nada por si mesmas.

Por que a Igreja reza pelos defuntos

Ciente dessa realidade, a Igreja sempre incentivou a oração pelos defuntos, especialmente pelas almas do Purgatório.

Muitas delas já não têm ninguém na terra que reze por elas: parentes, amigos e conhecidos desapareceram com o passar do tempo.

É por isso que existe a Comemoração dos Fiéis Defuntos. Trata-se de um ato de misericórdia, mas também de justiça sobrenatural.

Deus ama as almas do Purgatório e, justamente por amá-las, acolhe com especial benevolência as orações feitas em favor delas.

Quem reza pelas almas sofredoras pratica uma obra agradável a Deus e recebe, em troca, graças abundantes.

Nossa Senhora e a libertação das almas

Numerosos santos relataram visões nas quais a Virgem Maria desce ao Purgatório nas grandes festas litúrgicas, especialmente nas suas próprias solenidades e nas de seu Divino Filho.

A tradição a descreve como uma Rainha luminosa, acompanhada pelos anjos, que liberta inúmeras almas e as conduz ao Céu.

Nossa Senhora se alegra com as orações dos fiéis porque elas lhe permitem apresentar ao Filho um gesto concreto de caridade: uma súplica, um sufrágio, um sacrifício oferecido por aquelas almas.

Nesse sentido, rezar pelas almas do Purgatório é também um dom oferecido à própria Mãe de Deus.

Orações, penitências e esmolas: o que podemos fazer

A tradição católica indica três formas principais de sufrágio: orações, penitências e esmolas. Estas últimas, em particular, devem sustentar a Santa Igreja, hoje tantas vezes pobre, humilhada e perseguida, mas sempre mãe e rainha das almas.

As almas do Purgatório não permanecem indiferentes àqueles que as ajudam. Muitos fiéis dão testemunho de graças recebidas por sua intercessão, inclusive em necessidades concretas da vida cotidiana.

O valor supremo da Santa Missa

Entre todas as obras de sufrágio, uma se destaca acima de todas: a Santa Missa. Nenhum ato de piedade se iguala ao valor do Santo Sacrifício do Altar, que torna presente, de modo incruento, o Sacrifício do Calvário.

Pedir a um sacerdote que celebre uma Missa por uma alma do Purgatório é oferecer o maior dom possível.

É um verdadeiro “Natal” para essa alma, um presente capaz de abreviar de modo decisivo o tempo de sua purificação.

Se a Santa Missa é o maior dom que se pode oferecer a uma alma sofredora, então é preciso garantir a elas esse auxílio continuamente.

Aja agora: clique e participe da Liga de Resgate das Almas do Purgatório. Permita que essas almas contem com Missas semanais e orações.

Assim, o “Natal das almas” não é uma devoção sentimental, mas um ato profundamente teológico e autenticamente católico.

É a caridade que atravessa a morte e continua a agir, unindo a Igreja militante e a Igreja padecente em um mesmo gesto de amor sobrenatural.

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