Ele perdeu a visão, mas ganhou algo que poucos jamais terão: a amizade e a proteção de um santo. Uma história que toca a alma e nos faz enxergar com os olhos da fé.
O encontro que mudaria sua vida para sempre
San Giovanni Rotondo, um vilarejo simples, mas marcado pelo extraordinário. Entre as ruas de pedra e a vida pacata dos moradores, um menino de apenas seis anos caminhava de mãos dadas com o pai. Seu nome era Pietro Cugino, mas para todos era apenas Pietruccio.
Aquele dia parecia comum, mas o destino o levaria a um dos encontros mais marcantes da história: diante dele estava Padre Pio.
Havia algo de misterioso no olhar daquele santo capuchinho. Um olhar que parecia atravessar a alma, que enxergava muito além das aparências.
Foi com esse olhar que Padre Pio reconheceu algo especial em Pietruccio. Com o tempo, aquele menino tornou-se mais do que um simples amigo: tornou-se seu protegido, seu pequeno discípulo.
A cegueira que trouxe uma nova visão
A infância de Pietruccio era simples e cheia de pequenos serviços no convento. Ele ajudava a guiar os animais que vinham receber a bênção do santo, corria pelas vielas do mosteiro e absorvia cada ensinamento que Padre Pio lhe transmitia.
Até que, aos doze anos, a escuridão desceu sobre ele. Uma doença nos olhos o deixou cego.
A perda da visão poderia ter sido sua maior tragédia, mas tornou-se um dos maiores mistérios da graça. Padre Pio, sempre atento às almas, via a cegueira do menino sob outra perspectiva:
- “Considere o fato de que Pietruccio é realmente afortunado. Por causa de sua cegueira, ele não pode ver as coisas más e pecaminosas deste mundo.”
Enquanto muitos se lamentariam, Pietruccio aceitou sua cruz com humildade.
Ele sentia que, por meio dessa limitação, recebia algo que poucos tinham: uma proximidade ainda maior com o santo. Enquanto outros apenas viam Padre Pio, ele o sentia, vivia sua presença de um modo único.
Um laço que nenhum sofrimento poderia romper
Pietruccio poderia ter sido esquecido no silêncio de sua cegueira, mas ao contrário, tornou-se indispensável para Padre Pio. Enquanto o menino não via o mundo, via o santo. Sabia cada gesto, cada palavra, cada momento em que Padre Pio respirava mais fundo ou suspirava em oração.
Quando a idade avançada começou a pesar sobre os ombros do santo, ele encontrou em Pietruccio um apoio inesperado. Com a voz doce, mas firme, Padre Pio lhe dizia:
- “Você me empresta teu braço, e eu te emprestarei os meus olhos.”
E assim foi. O menino cego tornou-se os braços de Padre Pio. O santo apoiava-se em seu braço forte para caminhar até a igreja. E Pietruccio, mesmo sem ver o mundo ao redor, guiava um dos maiores santos da história.
Os frades, percebendo a confiança que Padre Pio tinha nele, deram-lhe uma cópia da chave do convento. Poucos tinham esse privilégio. Ele ia e vinha como um dos religiosos.
Sentava-se à mesa com eles, dormia no convento quando precisava e, durante a Santa Missa, ficava perto do altar, absorvendo com sua alma tudo aquilo que seus olhos já não podiam ver.
O maior medo e a maior prova de fé
A felicidade de estar ao lado de Padre Pio era imensa, mas algo inquietava Pietruccio. Em um dia de coragem, ele desabafou:
- “Padre, enquanto o senhor estiver aqui, sei que estarei seguro. Mas e depois? O que será de mim?”
A resposta do santo foi como uma chama que dissipa a escuridão:
- “O Deus que nos ajudou ontem, nos ajuda hoje e nos ajudará amanhã. Ele quer que nos abandonemos completamente ao Seu cuidado.”
Poucos dias antes de partir deste mundo, Padre Pio olhou para seu amigo fiel e disse, com voz serena, mas cheia de um significado profundo:
- “Me desculpe, mas eu preciso partir.”
O coração de Pietruccio se apertou. Ele sentia que algo estava para mudar para sempre, mas ainda não compreendia a dimensão dessa despedida.
Quando o santo faleceu, a escuridão que sempre esteve diante de seus olhos pareceu finalmente pesar sobre sua alma. Pela primeira vez, a cegueira parecia uma cruz insuportável.
Mas algo dentro dele dizia que Padre Pio ainda estava lá. E ele estava. Talvez não mais em carne e osso, mas em espírito, sustentando-o da mesma forma como fizera por toda a vida.
A verdadeira visão
A história de Pietruccio nos ensina que a verdadeira visão não está nos olhos, mas na alma. Quantos enxergam perfeitamente e, ainda assim, andam perdidos? Quantos veem este mundo, mas são cegos para Deus?
Pietruccio perdeu os olhos, mas ganhou algo infinitamente maior. Ele viu a santidade de perto. Sentiu, ouviu, tocou e respirou o perfume da graça divina. Enquanto tantos buscavam provas da santidade de Padre Pio, ele não precisava de nenhuma. Ele a viveu.
Nossa vida, tantas vezes, é como a de Pietruccio. Nos sentimos no escuro, inseguros, temendo o futuro. Mas Padre Pio nos dá a resposta: Deus que cuidou de nós ontem, cuida hoje e cuidará amanhã. A confiança em Sua providência é a verdadeira luz que precisamos.
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