Os números sobem 12% em um ano e levantam o alerta sobre a crise moral e a conivência de setores da hierarquia eclesiástica.

Na Bélgica, a morte já não é apenas o desfecho natural da vida.
Para muitos, ela tem se tornado um procedimento agendado.
Segundo a Comissão Federal de Controle e Avaliação da Eutanásia, o país registrou 4.486 mortes por eutanásia no último ano.
Isso representa um crescimento de 12,4% em relação ao período anterior.
Para se ter uma ideia da dimensão, isso significa que uma em cada 25 pessoas que falecem na Bélgica tem sua vida interrompida por este ato.
Um número que, para os observadores, escancara a rápida assimilação social de uma prática outrora vista como absurda e veementemente condenada.
A espiral discreta da normalização da eutanásia
Assim como aconteceu com o aborto, a estratégia é a mesma: fazer com que a experiência pessoal da morte provocada se torne rotineira.
Em breve, na Bélgica, quase todos conhecerão alguém que “escolheu” a eutanásia.
A lógica é perversa, mas previsível. Quando uma prática se torna comum, ela perde a capacidade de chocar.
Esse convívio forçado com a tragédia vestida de “alívio” vai sendo incorporada lentamente ao cotidiano, sendo apresentada, aos olhos da opinião pública, como um direito inquestionável.
O relatório da Comissão ainda revela um detalhe assustador: a maioria dos pedidos (73,7%) parte de pessoas com mais de 70 anos.
Contudo, o documento utiliza um termo que não passa despercebido: “a eutanásia em pacientes menores de 40 anos continua sendo pouco frequente (1,4%)”.
O uso do termo “continua” pode indicar uma tendência de crescimento também entre os mais jovens, consolidando ainda mais a chamada “cultura da morte”.
E é para denunciar essa realidade e defender o valor sagrado da vida que este apostolado precisa permanecer firme. Clique aqui e ajude a Regina Fidei a continuar esse trabalho.
Flandres vs Valônia: Mais morte entre os falantes de neerlandês
Os números, no entanto, não são homogêneos.
Essa tendência de crescimento também revela diferenças profundas dentro do próprio país.
A eutanásia é três vezes mais comum nas regiões de língua neerlandesa, como a Flandres; do que na região francófona, como a Valônia.
O dado é tão preciso que a Comissão identifica a tendência pelo idioma em que o pedido de eutanásia é redigido.
O que explica essa disparidade? Para analistas, não se trata de mera coincidência.
Flandres, que outrora foi um celeiro de vocações religiosas e missionárias católicas, hoje é também o território onde o progressismo católico encontrou solo mais fértil.
As ovelhas seguem o pastor
Uma transformação cultural como essa não acontece sem que, antes, aqueles que são a referência moral apoiem essa deriva.
A situação em Flandres reflete-se na postura de alguns de seus pastores, especialmente Monsenhor Johan Bonny, bispo de Antuérpia.
Conhecido por suas posições heterodoxas, Monsenhor Bonny já se manifestou publicamente a favor do uso de anticoncepcionais, do divórcio, da convivência fora do matrimônio e da fertilização in vitro.
Como destaca o site Riposte Catholique, conhecido por sua análise incisiva da crise moral na Europa, quando os próprios bispos são os primeiros a rejeitar a doutrina moral da Igreja, não se pode estranhar que os fiéis abracem a cultura da morte.
A decadência de Flandres, outrora uma região tão católica, caminha lado a lado com a deriva cismática de alguns de seus líderes.
Uma onda que pode virar um tsunami
Bélgica é um país pequeno, mas seu exemplo projeta consequências desproporcionais ao seu tamanho.
A vizinha França, com uma população seis vezes maior, está prestes a aprovar uma legislação similar para permitir a eutanásia e o suicídio assistido.
Se a lei for promulgada, um bloco massivo de países favoráveis à eutanásia se consolidará no coração da Europa: Portugal, Espanha, França, Países Baixos, Luxemburgo, Alemanha e Áustria.
Forma-se, assim, um eixo de influência imensa, capaz de pressionar o restante do continente e ecoar em todo o mundo ocidental.
Diante desse avanço, os números belgas são um sinal de que a descida rumo ao abismo de uma “cultura da morte sistematizada” é fruto de uma escolha deliberada.
E cabe àqueles que ainda creem no valor sagrado da vida, do início ao seu fim natural, resistir com lucidez e firmeza à normalização que eles tentam impor.
Essa resistência não se faz sozinha. Ajude a Regina Fidei a continuar defendendo a vida da concepção ao seu fim natural.




