Levantamento revela que apenas 55% dos que se identificam como católicos na Alemanha acreditam que Deus é Pai, Filho e Espírito Santo.

A encruzilhada em que se encontra a Igreja na Alemanha acaba de ganhar um retrato numericamente preciso. E o cenário, para os fiéis, é desolador.
Uma pesquisa realizada pelo instituto INSA-Consulere, a pedido de uma agência de notícias protestante, ouviu dois mil cidadãos alemães.
O objetivo era compreender o que resta da fé cristã em um dos países mais influentes da Europa. Os números foram divulgados e o diagnóstico é alarmante.
Somente pouco mais da metade dos católicos alemães — exatos 55% — acredita que Deus é Pai, Filho e Espírito Santo.
Isso significa que quase metade dos que ainda se dizem católicos já não adere, na prática, ao dogma central da fé católica.
Quando os católicos de uma nação inteira, que um dia foi cristã, começam a esquecer quem é Deus, o que permanece de pé?
Um fenômeno que atravessa o país
O levantamento, no entanto, não se limitou aos católicos, abrangeu também os protestantes de todos os espectros e os muçulmanos.
Entre a população geral, apenas 35% dos alemães creem na Trindade. Ou seja: dois em cada três cidadãos já não professam a fé no Deus uno e trino.
A disparidade regional também chama a atenção. No Ocidente do país, 37% afirmam crer na Trindade.
No Oriente, onde o ateísmo comunista deixou marcas profundas, o índice cai para 28%.
A Alemanha, berço da Reforma, sempre foi vista como um pilar do cristianismo ocidental, mas percebe-se que essa percepção está bem distante da verdade.
Jovens surpreendem; idosos, nem tanto
Os dados por faixa etária trazem um contraste digno de nota.
Entre os jovens de 18 a 29 anos que se reconhecem como cristãos, católicos e protestantes, a crença na Trindade chega a 47%, quase metade.
Já entre os maiores de 70 anos, o índice despenca para apenas 26%.
A fé, portanto, não segue uma linha reta de crescimento ou declínio por idade, e surpreende: os mais jovens creem mais do que os mais velhos.
O que aconteceu nessa geração que viveu o pós-guerra? A fé não foi transmitida para essas almas?
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O contraste com outras confissões religiosas
Entre os protestantes vinculados à igreja oficial luterana, menos da metade (45%) crê na Trindade.
Já entre os grupos evangélicos independentes, como batistas e outras denominações livres, o índice sobe para 73%.
Há ainda um dado curioso, que chama a atenção dos analistas.
Entre os muçulmanos residentes na Alemanha, 38% afirmam crer que Deus é Pai, Filho e Espírito Santo.
O número, superior à média nacional, pode indicar confusão na compreensão da pergunta ou, em alguns casos, uma abertura ao cristianismo.
De qualquer modo, o contraste é desconcertante: enquanto muitos que nasceram no seio da tradição cristã se afastam da fé, outros, de fora, se aproximam dela.
A fé na Alemanha corre grave risco!
Uma e outra vez, a história demonstra que a heterodoxia, quando não confrontada, leva à perda completa da fé.
A Alemanha, neste momento, serve de espelho para o que pode acontecer quando os fundamentos da fé deixam de ser anunciados com clareza.
Se entre os católicos apenas um pouco mais da metade ainda crê na Trindade, não estamos somente diante de uma estatística preocupante, mas de uma lenta apostasia.
Isso recorda aquele terrível alerta de Nosso Senhor: “Quando, porém, vier o Filho do Homem, porventura achará fé na terra?” (Lc 18,8)
Quando o próprio Deus deixa de ser reconhecido como Ele é, o que permanece já não é mais catolicismo, apenas caricatura.
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