
As reflexões desenvolvidas neste artigo partem das considerações históricas e teológicas apresentadas pelo professor italiano Roberto de Mattei, em texto publicado em seu Substack, dedicado ao significado permanente de Lourdes.
O que segue constitui uma elaboração autoral, com organização própria e desenvolvimento independente, inspirada nesses eixos de leitura.
Entre 11 de fevereiro e 16 de julho de 1858, na gruta de Massabielle, em Lourdes, a Santíssima Virgem apareceu dezoito vezes a Bernadette Soubirous, jovem camponesa de quatorze anos.
A Igreja reconheceu o caráter sobrenatural das aparições durante o pontificado do Papa Pio IX [1792-1878], e os Papas posteriores confirmaram esse juízo.
O local tornou-se um dos maiores centros de peregrinação do mundo, com três basílicas que formam um único santuário.
Lourdes ocupa lugar singular na história da Igreja por sua ligação direta com o dogma da Imaculada Conceição.
Em 25 de março de 1858, ao responder à pergunta de Bernadette sobre sua identidade, a Virgem declarou: “Eu sou a Imaculada Conceição”.
Essa afirmação confirmou, de modo extraordinário, a definição dogmática proclamada quatro anos antes, em 8 de dezembro de 1854.
Como observou o Papa Pio XII [1876-1958], na Encíclica Le pèlerinage de Lourdes, por ocasião do centenário das aparições, tratou-se de uma confirmação providencial do ensinamento solene do Magistério.
A invocação inscrita na Medalha Miraculosa, “Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós”, revelada em 1830 nas aparições da Santíssima Virgem a Catarina Labouré, na Rue du Bac, em Paris, e antecipou, em linguagem devocional, a definição do dogma da Imaculada Conceição.
A expressão “Imaculada Conceição” remete ao estado original da Virgem Maria, preservada do pecado desde o primeiro instante de sua existência.
Lourdes recorda, assim, uma verdade central da fé católica: a humanidade nasce marcada pelo pecado original e necessita da intercessão daquela que é cheia de graça.
Diante dessa verdade, não permaneçamos apenas na reflexão.
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Ao lado dessa afirmação dogmática, Lourdes apresenta uma exigência moral precisa. Na aparição de 24 de fevereiro de 1858, a Virgem pronunciou por três vezes um apelo direto: penitência. Pediu gestos concretos, oração pelos pecadores e conversão interior.
Pio XII descreveu esse chamado como dirigido a uma sociedade envolta em prosperidade aparente e afetada por males profundos. O apelo retoma o núcleo da pregação evangélica: o retorno do homem a Deus.
A penitência, conforme a explicação do mesmo Pontífice, consiste na conversão do coração e na reconciliação com Deus.
O chamado à penitência em Lourdes encontra paralelo direto em Fátima.
Na visão do Terceiro Segredo, um Anjo empunhando uma espada de fogo proclama por três vezes a mesma palavra: penitência. A repetição sublinha a gravidade do apelo.
Consideradas em conjunto, Rue du Bac, Lourdes e Fátima apresentam uma sequência coerente de intervenções marianas que pedem retorno a Deus, conversão interior e fidelidade à lei divina.
A mensagem de Lourdes, cuja festa celebramos hoje, conserva atualidade porque se dirige à raiz do problema humano: o afastamento de Deus como princípio ordenador da vida pessoal e social.
Enquanto esse afastamento persistir, o apelo da Imaculada Conceição à penitência continuará a ressoar na consciência dos homens e na vida das sociedades.
Se a mensagem de Lourdes continua atual, a nossa resposta também precisa ser concreta.
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