Padre Pio revela que aquilo que parece castigo pode ser, na verdade, uma imensa misericórdia.

Muitas pessoas têm dificuldade em compreender o verdadeiro sentido do sofrimento na vida cristã.
Afinal, Deus castiga? O sofrimento é um castigo ou uma correção? E como agradecer por uma cruz?
Essas perguntas acompanham os fiéis há séculos.
De um lado, há quem veja no sofrimento uma punição divina, um preço a ser pago pelos pecados cometidos. De outro, há quem enxergue nele um remédio amargo, mas necessário, para a cura da alma.
É aqui que nasce uma confusão silenciosa, mas profundamente perigosa. Muitos imaginam que a justiça de Deus é severa e a sua misericórdia é doce e consoladora.
No entanto, Padre Marciano Morra, confrade do Padre Pio, mostra que talvez essa visão seja parcial. E mais do que isso: pode estar invertida.
Castigo, Cruz e Misericórdia
Entre dois filhos espirituais do Padre Pio, o engenheiro Cremonini e o notário Cuoghi de Cremona, houve uma discussão acalorada.
Por horas eles não se falavam, apesar de estarem lado a lado no carro.
Um deles acreditava que os castigos de Deus são misericórdia. O outro não conseguia concordar.
O doutor Cuoghi sabia que Deus não pune por castigo, mas corrige quem ama, como um pai faz com um filho.
Como ensina a Sagrada Escritura: “Eu repreendo e castigo a todos quantos amo” (Ap 3,19).
E afirmava com insistência:
— Quando há uma cruz é necessário aceitá-la, pedir o auxílio ao Senhor, oferecê-la e depois também agradecê-la.
O engenheiro Cremonini concordava em parte… Entretanto, não conseguia aceitar que enquanto alguém sofre, deve também beijar a mão que o faz sofrer.
Como árbitro da discussão foi convidado o Padre Pio, o qual, com um definível sorriso argumentou:
— Escuta, engenheiro… façamos uma comparação humana. Imaginemos que me deves muito e não me pagaste. Mereces a prisão, não?
— Com certeza — respondeu Cremonini.
Misericórdia ou justiça? Exemplos da vida
Padre Pio, então continuou:
— Mas eu, na minha bondade, dou-te duas bofetadas… e depois te digo: já não há dívida entre nós. O que dirias?
Cremonini respondeu:
— Padre… duas bofetadas são melhores que a prisão!
Padre Pio retrucou:
— E não queres agradecer a Deus que, com um pouco de sofrimento te liberta de outro maior?
Pense em situações da vida: um pai que impede o filho de sair para protegê-lo, um amigo que diz uma verdade dura para evitar um mal maior.
Isso é agir com misericórdia ou com justiça? É aqui que muitos se perdem.
Muitos não sabem responder e, por isso, continuam vivendo sem enxergar o próprio pecado. Confundem tudo e acabam se afastando de Deus sem perceber.
Temo mais a misericórdia do que a justiça
É nesse momento que Padre Pio eleva ainda mais a discussão.
Neste ponto do discurso Padre Pio, voltando-se a todos os presentes, afirma:
— Eu tenho mais medo da misericórdia de Deus que da sua justiça!
Em suas mentes, aquilo parecia no mínimo… absurdo.
Padre Pio, percebendo isso, acrescentou:
— Acreditais que eu tenha dito algo errado? Vou demonstrar que não.
E continuou:
— A justiça divina pode ser satisfeita com uma penitência… ou com um sofrimento aceito. Mas a misericórdia… não. Deveríamos viver setenta mil anos… para pagar uma mínima parcela da misericórdia que Deus usa conosco.
A misericórdia de Deus é tão imensa que nos deixa sem palavras.
Não por ser algo que assusta, mas por ser um amor tão grande que jamais conseguiremos retribuir à altura.
Dor e Misericórdia
E é exatamente aí que está o grande engano de muitos: confundir a severidade da justiça com a doçura da misericórdia.
Padre Pio revela o oposto: a justiça pode ser saciada com pouco, mas a misericórdia – essa sim – é uma dívida impagável.
E é justamente por isso que ela exige mais de nós, não menos.
Quantas cruzes recusamos por achá-las pesadas demais, sem perceber que são um alívio disfarçado? Quantas vezes deixamos de agradecer por uma bofetada que, na verdade, nos livrou da prisão?
São Pio de Pietrelcina ajuda a enxergar, entretanto, que todo sofrimento aceito com fé pode ser a maior prova de amor de um Deus que não desiste de nós.
Torne-se Filho Protegido do Padre Pio e não carregue mais suas cruzes sozinho.
E talvez o mais assustador não seja o castigo… mas perceber o quanto já fomos poupados e ainda assim, o quanto resistimos em amar de volta.




