Janeiro, o Mês do Santíssimo Nome de Jesus

Uma devoção que coloca Nosso Senhor no início do ano cristão.

Vitral na Igreja de São Martinho, em Montmorency, na França.

O primeiro mês do ano é dedicado ao mais Santo de todos os Nomes, o de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Trata-se de uma devoção antiga, enraizada na Sagrada Escritura e na Tradição, que convida os fiéis a iniciarem o ano colocando o Nome do Salvador no centro da vida cristã.

Por isso, a Igreja celebra, no dia 3 de janeiro, a festa do Santíssimo Nome de Jesus e dedica todo o mês de janeiro a honrar o nome ao qual todo joelho, no céu, na terra e nos infernos, se dobra.

Um Nome que Revela uma Missão

Jesus não é um nome qualquer. Em hebraico, Yeshua carrega em si toda uma missão: “Deus salva”.

A santidade do nome vem primeiro da santidade de quem o porta: o próprio Filho de Deus. Foi desejo do Pai que o Verbo se encarnasse, nascendo de Maria, e recebesse este nome.

O Arcanjo São Gabriel foi explícito ao anunciar à Virgem:

“Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus” (Lc 1,31).

Desde os primeiros tempos da Igreja, os cristãos invocam este nome com profunda reverência, pois nele está contida a promessa da redenção:

“Não há outro nome debaixo do céu dado aos homens pelo qual devamos ser salvos” (At 4,12).

O Nome de Jesus na vida dos católicos

Na liturgia católica, o nome de Jesus é central. Todas as orações, seja na Santa Missa ou nos grandes atos litúrgicos, se concluem com a fórmula “por Nosso Senhor Jesus Cristo”.

Esta invocação final é uma profissão de fé nAquele que nos trouxe a salvação.

Mesmo na Ave-Maria, oração tão familiar, o ponto culminante está no Nome sagrado: “bendito é o fruto do vosso ventre, JESUS”.

No Rosário, cada mistério é atravessado por esse Nome Santíssimo, repetido, contemplado, saboreado.

O nome de Jesus é, portanto, o ponto de convergência. É por meio dEle que nossas preces sobem a Deus Pai, lembrando que é por meio de Nosso Senhor que temos acesso à Trindade.

Essa centralidade não ficou restrita à liturgia, mas moldou profundamente a espiritualidade católica ao longo dos séculos.

Uma devoção promovida pelos Santos

A Igreja sempre tratou o Nome de Jesus com profunda reverência, e essa atitude encontrou expressão concreta na vida e nos ensinamentos de muitos santos.

Entre os eremitas no deserto e nas comunidades monásticas do Oriente, a prática da “oração do coração” (Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tende piedade de mim, pecador) desenvolveu-se e espalhou-se.

No Ocidente, foi durante a Idade Média que esta devoção ganhou forma e se fortaleceu de forma decisiva.

São Bernardo de Claraval, em seus Sermões sobre o Cântico dos Cânticos, exorta:

“Pensai em Jesus. Em vossas orações, nada acrescenteis a este nome… Ele é mel para os lábios, melodia para os ouvidos, júbilo para o coração.”

Um marco formal surgiu em 1274, com o Concílio de Lyon, que ordenou a todos dobrar o coração – e a cabeça – ao ouvir o nome do Salvador:

“Cada um deve cumprir o que está escrito para todos, que ao Nome de Jesus todo joelho deve dobrar; sempre que esse nome glorioso é lembrado, especialmente durante os sagrados mistérios da Missa, todos devem dobrar os joelhos de seu coração, o que ele pode fazer mesmo com um arco de sua cabeça.”

O zelo pelo Santíssimo Nome de Jesus cresceu nos séculos XIV e XV, sobretudo com os franciscanos São Bernardino de Siena e São João de Capistrano.

Eles percorreram cidades, popularizando o monograma IHS (que significa ‘Jesus Salvador dos Homens’) e compondo a Ladainha do Santíssimo Nome.

A devoção consolidou-se em 1530, quando o Papa Clemente VII autorizou a Ordem Franciscana a celebrar o Ofício do Santíssimo Nome de Jesus.

Mais tarde, os Jesuítas fariam do monograma sagrado (IHS) seu emblema, levando o nome de Jesus ao mundo em suas missões.

Como Viver Esta Devoção em Janeiro

Inspirados por esse exemplo, os fiéis são encorajados a aprofundar esta devoção ao longo do mês de janeiro.

Entre as práticas recomendadas estão:

  • A recitação da Ladainha do Santíssimo Nome de Jesus.
  • A adoção do gesto de inclinar a cabeça ao ouvir o nome de Jesus.
  • A recitação de saudações e jaculatórias como “Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo”, ou “Bendito seja o Seu Santo Nome”.
  • Invocar o nome de Jesus com confiança nas horas de necessidade e de angústia.

Viver esta devoção neste mês é um convite a experimentar, na invocação deste Santíssimo Nome, a paz que acalma, a força que sustenta e a esperança que transforma.

Pois o nome de Jesus é, em si, portador do poder infinito de Deus e da doçura reconfortante do seu amor.

Um Nome que salva, ainda hoje

A devoção ao Santíssimo Nome de Jesus responde a uma necessidade atual: lembrar ao mundo que a salvação não vem de ideologias, técnicas ou promessas vazias, mas de uma Pessoa viva.

A dedicação do mês de janeiro ao Santíssimo Nome de Jesus propõe, assim, um verdadeiro ponto de partida espiritual para todo o ano: reconhecer Jesus Cristo como Salvador e colocar n’Ele toda a nossa confiança.

E talvez seja exatamente por isso que a Igreja começa o ano assim: ajoelhada, ainda que interiormente, diante do Nome que sustenta tudo.

Um convite a amar e honrar o Nome de Jesus

O Santíssimo Nome de Jesus, que deveria ser pronunciado com adoração e reverência, é hoje frequentemente profanado, banalizado e usado em vão. Cada blasfêmia fere o Coração de Nosso Senhor e exige, da parte dos fiéis, uma resposta de amor, reparação e fidelidade.

É nesse espírito que existem os Guardiões do Sagrado Coração de Jesus — fiéis que assumem, de modo consciente, o compromisso de oferecer reparação pelas blasfêmias, sacrilégios e desprezos dirigidos ao Seu Santíssimo Nome e ao Seu Sacratíssimo Coração.

Assuma essa missão sem precisar sair de casa. Ligue para: 0800 878 2256 (Brasil) ou 351 300 305 367 (Portugal). 

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