De quem você gosta mais: dos amigos mundanos ou dos amigos católicos?

Quando o medo de parecer diferente pesa mais do que o desejo de agradar a Deus.

Esta não é uma pergunta teórica. Ela se responde no espelho, no corte da sua roupa, nas desculpas que você gagueja e nas críticas impiedosas que você repete contra os seus. Ela revela, sem filtros, quem você realmente adora.

Amizade não é mera distração

Amigo não é quem facilita sua permanência no erro com um sorriso condescendente. Amigo é quem puxa sua alma para o Alto.

Toda amizade forma ou deforma. A questão decisiva não é apenas de quem você gosta mais, mas para onde você está indo com quem você escolheu caminhar.

Padre Pio não romantizava amizades, pelo contrário, Ele dizia claramente que amizade não é neutra

Em cartas a jovens e leigos, ele advertia:

“Evite as companhias que esfriam o fervor. A alma perde mais em uma hora de más companhias do que ganha em muitos dias de oração.”

O complexo de inferioridade diante do mundo

O amigo mundano exerce um fascínio silencioso. Ele dita a moda, a linguagem e o pecado “com classe”. E você, dominado por um complexo de inferioridade, começa a imitá-lo.

Você escolhe sua roupa pensando: “Será que ele ou ela vai me achar estranho?”. Você mede cada palavra para não parecer um “beato” ou “medieval”. Você adapta seus gostos, sua postura e até seu tom de voz. Tudo para provar que você é um católico “normal”, igual a ele…

Padre Pio combatia frontalmente aquilo que o artigo denuncia como “medo de parecer diferente”. Para ele, o respeito humano era uma das portas mais comuns para a tibieza e para a perda da alma.

Em suas cartas espirituais e testemunhos de filhos espirituais, ele afirmou:

“O respeito humano é um grande inimigo da alma.”

“Prefiro mil vezes desagradar aos homens do que desagradar a Deus.”

Entenda bem: no fundo, você quer que ele pense que sua fé é apenas um detalhe irrelevante, que ser católico não mudou nada em você. E, se não mudou nada, para que serve a sua fé?

Vestir-se para o mundo e desonrar a Deus

Você já não se veste para honrar a própria dignidade de templo do Espírito Santo. Você se veste para não destoar da massa.

A modéstia dos seus irmãos de fé vira “exagero” aos seus olhos; a sobriedade vira “caretice”.

Diante do amigo mundano, num restaurante, você tem vergonha de fazer o sinal da cruz. Você prefere parecer qualquer coisa, menos alguém “separado” para Deus.

Você ensina ao mundo, sem dizer uma palavra, que Deus não merece o esforço de um desconforto social.

A falsa prudência: O silêncio que condena

Quando o amigo mundano o convida para o que ofende a Deus, você professa raramente a verdade. Você não diz: “Isso é pecado”; você não diz: “Isso ofende a Nosso Senhor”. Você inventa desculpas elegantes. Diz que está cansado, que tem compromisso, que “não está no clima”.

Sob o pretexto de não se afastar dele para fazer “apostolado”, você se torna cúmplice.

Você deixa o seu amigo marchar em direção ao abismo porque tem medo de estragar o jantar. Isso não é caridade; é respeito humano covarde.

Prefere ver o seu amigo caminhar para a condenação eterna do que suportar cinco minutos de um silêncio constrangedor à mesa.

Você trocou a salvação de uma alma pelo conforto de um jantar social – sem fazer o sinal da cruz, é claro.

Padre Pio dizia sem rodeios que calar por medo de desagradar não é prudência, é respeito humano disfarçado.

Um conselho recorrente em sua direção espiritual era esse:

“A falsa prudência nasce do medo, não da caridade.”

Ele repreendia filhos espirituais que inventavam desculpas sociais para evitar confrontar o pecado e preferiam “não quebrar o clima” a dizer a verdade.

O chicote contra o irmão, o tapete para o mundano

Aqui a hipocrisia se completa. Com o mundano, você é pura “misericórdia” e pano quente. Mas com o amigo católico, você é um inquisidor implacável.

Você critica a roupa dele, a devoção dele, o zelo dele. Você gostaria que ele fosse um “católico palatável”: alguém que tem fé, mas que não incomoda o mundo.

Não suporta o zelo do seu irmão porque ele é o lembrete vivo da sua covardia. Qualquer tropeço dele vira motivo de escárnio e apelidos.

Não porque você ama a virtude, mas porque a luta dele denuncia a sua rendição.

O altar da invisibilidade: Religiosos e Famílias

Essa praga atinge até o altar. Sacerdotes que escondem a batina e religiosos que camuflam o hábito para serem “vistos como gente comum”.

Querem ser “modernos”, “pé no chão”. Resultado: tornam-se funcionários do sagrado, invisíveis e irrelevantes.

Padre Pio acreditava que o mundo não se converte com padres ‘normais’, mas com homens separados, identificáveis e contraditórios ao espírito do século.

E afirmava que o sacerdote deve ser um sinal. Quando deixa de ser sinal, torna-se inútil.

Nas famílias, o ritmo da casa é ditado pelo que os vizinhos pensam. Suavizam-se as exigências morais para “manter a boa convivência”.

Os filhos aprendem a lição mais terrível: que Deus é importante, desde que não incomode as visitas.

Um teste que não aceita desculpas

  • Você tem mais medo de ser chamado de “chato” pelo mundo do que de ser chamado de “morno” por Deus?
  • Você trata os erros dos mundanos como “falta de formação” e os erros dos católicos como “hipocrisia”?
  • Você se sente mais à vontade em ambientes onde Deus é ignorado do que onde Ele é adorado com rigor?

A inversão da fidelidade

Quem ama de verdade arrisca ser rejeitado. Quem ama a Deus aceita ser o “sinal de contradição”. Se você prefere ser aceito a ser fiel, você já escolheu o seu lado.

A Associação Regina Fidei não existe para criar católicos simpáticos ao mundo. Existimos para formar católicos inteiros, visíveis e inegociáveis. Se este texto doeu, é porque ainda há vida em sua consciência. Ferida limpa dói; ferida escondida apodrece.

O mundo já tem bajuladores o suficiente. O que ele não tem são católicos que preferem a fogueira à mentira.

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