Descubra como São José morreu segundo a Tradição e por que ele é invocado como padroeiro da boa morte.

Pouco se sabe sobre a vida e morte de São José.
Personagem discreto, responsável por proteger e cuidar de Nosso Senhor e de Sua Mãe Santíssima, sua última aparição explícita ocorre no episódio de Jesus aos doze anos no Templo.
Depois disso, os evangelistas não voltam a mencionar São José, e este desaparecimento, coerente com a sua missão, indica que sua presença já não era necessária no desenrolar da vida pública de Cristo.
Ele está ausente nas Bodas de Caná, não aparece durante o ministério público de Jesus e não é citado na cena da Cruz, quando Jesus confia Nossa Senhora ao discípulo amado.
Se São José estivesse vivo naquele momento, seria ele o responsável por Nossa Senhora.
Por isso, a Igreja sempre entendeu que São José teria morrido antes do início da vida pública de Cristo.
Se você quer conhecer mais profundamente a vida escondida de São José, vale a pena assistir ao seriado “São José, o santo do silêncio”.
O que a Tradição ensina sobre como São José morreu?
Diante do silêncio bíblico, a própria sabedoria da Igreja nos conduz naturalmente à Tradição, onde essa realidade é contemplada com maior profundidade.
A tradição amplamente difundida na Igreja afirma que São José recebeu a graça de morrer assistido por Jesus e Maria, quando o Redentor tinha por volta de 30 anos.
Nos primeiros séculos da Igreja, conforme narra Isidoro de Isolanis, costumava-se ler esta solene narração da morte do pai adotivo do Filho de Deus:
“Eis chegado para São José o momento de deixar esta vida. O Anjo do Senhor lhe apareceu e anunciou ter chegado a hora de abandonar o mundo e ir repousar com seus pais.
Sabendo estar próximo o seu último dia, quis ele visitar, pela última vez, o Templo de Jerusalém, e lá pediu ao Senhor que o ajudasse na hora derradeira.
Voltou a Nazaré e, sentindo-se mal, recolheu-se ao leito, agravando-se em breve o seu estado. Entre Jesus e Maria, que o assistiam com carinho, expirou suavemente, abrasado no Divino Amor.
Oh, morte bem-aventurada! Como não havia de ser doce e abrasada no Divino Amor a morte daquele que expirou nos braços de Deus e da Mãe de Deus?
Jesus e Maria fecharam os olhos de São José. E como não havia de chorar Aquele mesmo Jesus que choraria sobre a sepultura de Lázaro? ‘Vede como ele o amava!’, disseram os judeus. São José não era tão só um amigo, mas um pai querido e santíssimo para Jesus”.
Pode haver, afinal, melhor passagem para a vida eterna do que entre os braços de Jesus e de Maria?
Essa convicção não se apresenta como relato histórico detalhado, mas como uma consequência profundamente coerente com sua missão e vocação.
Aquele que guardou o Redentor durante a vida terrena é amparado por Ele na hora derradeira.
Assim, sua morte é contemplada como a consumação de uma vida vivida em fidelidade.
Por que São José é o padroeiro da boa morte?
Essa tradição fundamenta sua invocação como patrono da boa morte.
Seu exemplo convida os fiéis a refletirem sobre a própria preparação para esse momento inevitável.
Viver com a consciência da morte é um exercício espiritual fundamental. E esse preparo passa por avaliar cada ato à luz da eternidade.
Até mesmo ações cotidianas devem ser feitas com discernimento: se essa fosse a última coisa que se deixasse no mundo, haveria motivo para arrependimento?
São José, ao expirar entre os braços de Jesus e Maria, lembra que a hora derradeira virá e não admitirá improviso.
Que ele alcance a cada um de nós a graça de não sermos surpreendidos despreparados, mas encontrados em estado de fidelidade.
Se quiser continuar essa reflexão, assista ao seriado “São José, o santo do silêncio”.




