Conheça como surgiu a prática da Via Sacra e por que ela permanece essencial.

A Via Sacra ou Via Crucis é o caminho que Jesus Cristo percorreu desde o palácio de Pilatos até o monte Calvário, onde foi crucificado.
Nesse trajeto, que não era longo em distância, se deram alguns dos eventos mais importantes da história da salvação.
Por isso, a Igreja quis fazer memória contínua deste caminho, dividindo-o em quatorze estações, da condenação de Jesus até o seu sepultamento.
Hoje, quando católicos ao redor do mundo se reúnem para rezar a Via Sacra, seja nas noites da Quaresma ou no silêncio pesaroso da Sexta-Feira Santa, poucos imaginam como surgiu essa devoção que atravessa os séculos.
A Via Dolorosa e a Memória da Paixão
A resposta mais concreta sobre a origem da Via Sacra está gravada no próprio chão de Jerusalém: a Via Dolorosa, o caminho percorrido por Jesus carregando a cruz na qual morreria para a nossa salvação.
É possível tocá-la, pisá-la e reviver a Sagrada Paixão nos locais onde Jesus caiu sob o peso da cruz ou encontrou Sua Mãe.
Segundo uma antiga tradição, foi a Virgem Maria quem primeiro percorreu a Via Crucis, meditando e contemplando os sofrimentos de seu Filho.
Conta-se que, desde o tempo do Imperador Constantino, no século IV, já existia o costume piedoso de percorrer aqueles caminhos em oração.
Contudo, após séculos de perseguições e invasões na Terra Santa, a peregrinação aos lugares santos tornou-se impraticável para a maioria dos cristãos.
Era preciso, portanto, encontrar uma forma de manter viva essa devoção tão poderosa.
Os Franciscanos e a Terra Santa
São Francisco de Assis, no início do século XIII, movido pelo amor a Cristo Crucificado, foi à Terra Santa para peregrinar pelos lugares que testemunharam o imenso amor de Deus pelos homens.
Nessa sua peregrinação, encontrou-se e tratou com o sultão Melek Al-Kamel, que naquele tempo governava na Terra Santa, e obteve a autorização para que os franciscanos permanecessem ali.
A partir de então, os frades passaram a rezar e caminhar pelas ruas empoeiradas de Jerusalém, parando em pontos específicos para meditar nos momentos da Paixão.
Os franciscanos receberam oficialmente a custódia da Terra Santa em 21 de novembro de 1342, através da bula Gratias Agimus do Papa Clemente VI.
Foi precisamente essa presença contínua dos frades franciscanos na Terra Santa que garantiu a preservação fiel dos lugares onde Nosso Senhor viveu o drama da Paixão.
Os “Montes Sacros”: Jerusalém reproduzida pelo Mundo
Com o fim das cruzadas, os franciscanos se deram conta de que os peregrinos cristãos já não podiam viajar à Terra Santa para percorrer a Via Dolorosa. Como oferecer a eles a mesma graça?
Assim, franciscanos e representantes de outras ordens religiosas começaram a construir, em toda a Europa, capelas e santuários que reproduziam esses locais de Jerusalém.
Em particular, o padre dominicano Álvaro de Córdoba difundiu a devoção, começando por Córdoba, onde construiu pequenos oratórios de estilo similar às estações modernas.
Assim, surgiram os chamados “Montes Sacros”, conjuntos de pequenas capelas, geralmente edificadas em uma colina, que reproduziam os vários lugares da Paixão em Jerusalém: o Getsêmani, o Calvário, o sepulcro…
No Brasil, o exemplo mais notório de “Monte Sacro” são as seis “Capelas dos Passos da Paixão” que integram o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas (MG).
“Viagem espiritual” seguindo os passos de Jesus
Essa tradição de reproduzir os lugares santos, que floresceu na Idade Média, ganharia um novo impulso no exato momento em que os iluministas confrontavam a fé cristã.
Eles pleiteavam eliminar a presença da fé cristã da cultura europeia e passaram a desprezar práticas devocionais como a meditação da Paixão de Cristo.
Para responder a isso, os franciscanos começaram a construir essas “estações” também dentro das igrejas para popularizar a prática, com a permissão de Roma.
Além disso, tornou-se possível que os fiéis recebessem as mesmas indulgências que teriam sido dadas caso viajassem para Jerusalém.
A prática começou, então, a se espalhar lentamente. Mas uma pergunta pairava no ar: quantas estações eram?
Em alguns lugares, devido aos “Montes Sacros”, rezavam-se sete, em outros, vinte. A confusão poderia ter dissipado a devoção, mas a Providência agiu para solidificá-la.
Era necessário estabelecer unidade para que essa devoção não se perdesse ao longo dos séculos.
As Quatorze Estações e São Leonardo de Porto-Maurício
O Papa Bento XIII, em 1726, reconhecendo os frutos espirituais que a devoção produzia, estendeu a todos os fiéis a possibilidade de rezarem a Via Sacra.
Com esse reconhecimento da Sé Apostólica, espalhou-se rapidamente por toda a cristandade, embora ainda faltasse uma definição clara quanto ao número das estações.
Finalmente, em 1731, o Papa Clemente XII fixou o número de quatorze estações, começando pela condenação de Jesus e terminando com o seu sepultamento.
No Ano Santo de 1750, em Roma, São Leonardo de Porto Maurício, famoso pregador franciscano de missões populares, realizou a primeira Via Sacra no interior do Coliseu, dando novo impulso para essa devoção.
A partir de então, ele desempenhou papel decisivo na sua difusão universal, erigindo mais de 500 Vias Sacras e promovendo sua prática.
Se deseja rezar a Via Sacra como São Leonardo de Porto-Maurício difundiu, clique aqui e baixe as mesmas meditações que inflamaram multidões de fiéis.
Assim surgiu a Via Sacra como nós conhecemos: a meditação do caminho doloroso de Jesus diante de quatorze quadros que representavam os eventos ocorridos nessa travessia.
Um caminho de penitência e salvação
O exercício da Via Sacra é particularmente adequado no tempo da Quaresma, mas convém praticá-lo com frequência ao longo do ano, especialmente nas sextas-feiras, quando relembramos a Paixão do Senhor.
Para ajudá-lo a percorrer esse caminho com profundidade e fidelidade à tradição da Igreja, baixe gratuitamente a Via Sacra de São Leonardo de Porto-Maurício.
Entre os santos que mais amaram essa prática, destaca-se Padre Pio, que carregava em seu corpo os estigmas da Paixão e era fiel na prática da Via Sacra ao menos uma vez por semana.
Percorrer essas estações é colocar-se ao lado de Jesus, acompanhar cada queda, cada encontro, cada dor, e permitir que a Paixão de Jesus ilumine nossas próprias cruzes.
Assim, a Via Sacra permanece, ao longo dos séculos, como convite perene e eloquente: caminhar com Nosso Senhor até a Cruz, para com Ele participar da vitória da Ressurreição.




