Uma questão antiga da fé católica, debatida por grandes doutores da Igreja e confirmada pela experiência dos santos.

A fé católica ensina que nós não só podemos, como devemos rezar pelas Almas do Purgatório.
No entanto, uma pergunta surge com frequência entre os fiéis: o caminho da oração seria apenas de mão única? Essas almas, que já estão salvas, podem ou não rezar por nós?
Se elas não estão mais em pecado mortal e caminham com certeza para o Céu, ainda que em purificação, não poderiam alcançar graças para aqueles que rezam pedindo sua intercessão?
Essa questão, aparentemente simples, foi enfrentada por grandes doutores da Igreja.
Duas posições opostas: Santo Tomás de Aquino x Santo Afonso de Ligório
Santo Tomás de Aquino, o Doutor Angélico, defende que as almas do Purgatório não poderiam interceder pelos vivos.
Na questão da Suma Teológica que trata da oração, ele afirma que apenas os santos no Céu, por já contemplarem a Deus face a face, podem conhecer nossas necessidades por especial permissão divina e interceder eficazmente.
Isso porque já gozam da visão beatífica e, por estarem perfeitamente unidos a Jesus Cristo, Ele lhes revela o que apenas a Trindade conhece.
As almas em purificação, embora estejam salvas e sejam amadas por Deus, ainda não estão nessa condição que possibilitaria sua intercessão em nosso favor.
Já Santo Afonso Maria de Ligório apresenta uma posição diferente.
No seu livro “O grande meio da oração”, ele afirma que Deus pode manifestar às almas do Purgatório as nossas súplicas, para que elas rezem por nós.
Para ilustrar, ele utiliza uma comparação clara e acessível:
“Se um pai, apesar de seu grande amor ao seu filho, conserva-o encarcerado por alguma falta cometida, o filho, em todo o caso, não está em condições de pedir alguma coisa para si mesmo.
Entretanto, por que não poderá pedir pelos outros? Por que não poderá esperar ser atendido no que pede, conhecendo o afeto que lhe tem o pai? Sendo assim, as almas do purgatório, muito mais amadas de Deus e confirmadas em graça, podem rezar por nós.”
Ou seja, as almas do Purgatório, por estarem salvas, podem interceder por nós. Ainda que não tenham acesso à visão beatífica, não estão impedidas de interceder por aqueles que pedem sua ajuda.
Como Deus poderia tornar isso possível
Diante do que Santo Afonso Maria de Ligório defende, surge uma pergunta prática: como essa intercessão se realizaria, se as almas precisariam conhecer as nossas necessidades?
A resposta reside na onipotência de Deus, que pode tornar conhecidas as nossas intenções às almas do Purgatório de diversas formas:
– por inspiração interior;
– por meio dos anjos da guarda;
– ou até pelo contato com outras almas que chegam ao Purgatório e conheciam nossas necessidades enquanto estavam na Terra.
Nada disso contradiz a fé católica. Pelo contrário, manifesta a liberdade de Deus em agir além dos nossos esquemas humanos.
É a partir dessa compreensão que muitos fiéis passaram a viver essa devoção de forma mais consciente e concreta.
Por isso, inscrevendo-se na Liga de Resgate das Almas do Purgatório, você não apenas oferece orações pelas Santas Almas, como também pode confiar a elas as suas necessidades mais urgentes.
O testemunho dos santos confirma a intercessão das Almas do Purgatório
Mais do que debates teóricos, a vida dos santos oferece um testemunho claro de que as Almas do Purgatório intercedem por nós.
Santa Catarina de Bolonha relata que recorria frequentemente às Almas do Purgatório para alcançar graças e era atendida de forma imediata, obtendo inclusive favores que não havia conseguido por meio da intercessão dos santos.
O Santo Cura d’Ars manifestava sua convicção na eficácia da intercessão das Benditas Almas, afirmando:
“Se soubéssemos quão grande é o poder das santas almas do purgatório e quantas graças podemos alcançar por sua intercessão, não seriam elas tão esquecidas.”
Esses testemunhos confirmam uma prática piedosa profundamente enraizada na caridade cristã.
Um intercâmbio de caridade que beneficia a todos
Quando rezamos pelas Almas do Purgatório, oferecemos alívio aos seus sofrimentos, que são muitos. E, movidas por gratidão e amor, nada impede que elas supliquem a Deus por quem as socorre.
Forma-se, assim, um verdadeiro intercâmbio de caridade.
O apóstolo São Paulo ensina que a caridade é a maior das virtudes e que ela permanece mesmo após a morte (cf. I Cor 13,8).
Essa lógica era muito cara a santos profundamente ligados às almas do Purgatório, como o Padre Pio, que incentivava a oração constante por elas e recordava que quem socorre essas almas nunca fica sem auxílio.
Se deseja viver essa caridade de forma concreta, conheça a Liga de Resgate das Almas do Purgatório, garanta que elas recebam o alívio de orações e missas celebradas com regularidade e confie a elas as intenções que você mais deseja.
Podemos, portanto, confiar que as Santas Almas podem rezar por nós, pois sua intercessão é uma expressão viva da comunhão dos santos.
Nessa comunhão, o amor atravessa o tempo, o sofrimento e até a purificação final, unindo a Igreja Militante, Padecente e Triunfante em uma mesma caridade.




