O impressionante relato de como a Doutora da Igreja não desistiu de uma inimiga, intercedendo por ela até depois da morte.

A história da santidade é marcada por gestos heróicos que desafiam a lógica humana.
Mas poucos são tão comoventes quanto o episódio protagonizado por Santa Catarina de Sena, uma mulher cujo coração transbordava de misericórdia a ponto de não apenas perdoar suas inimigas, mas interceder por elas até mesmo após a morte.
Este relato, extraído do clássico livro “O Dogma do Purgatório Revelado aos Santos” do Padre François-Xavier Schouppe, S.J., nos apresenta uma lição contundente.
A seguir, uma narrativa que nos convida a refletir: até onde estamos dispostos a ir por aqueles que nos odeiam?
A benfeitora que virou Inimiga
Santa Catarina de Sena, que era terciária dominicana, dedicava seus dias a socorrer os mais necessitados com obras de misericórdia.
Entre tantas pessoas ajudadas pela boa dominicana, havia uma mulher chamada Palmerina.
Ela foi objeto da mais terna caridade da santa: recebeu cuidados, atenção, tudo o que Catarina podia oferecer.
A gratidão, em vez de florescer no coração de Palmerina, transformou-se em aversão secreta e ódio declarado.
Palmerina não suportava mais ouvir falar de Catarina, ouvir seu nome, vê-la.
E para saciar seu ódio, começou a infamar a santa com as mais atrozes calúnias, espalhar mentiras.
Pagou com o mal aquela que só lhe fez o bem.
Quando a bondade parecia inútil
Catarina de Sena, porém, não desistiu e fez tudo ao seu alcance para quebrantar aquele coração empedernido.
Estendeu a mão, ofereceu reconciliação, buscou o bem de Palmerina com uma paciência que edificava a todos.
Cada ato de caridade parecia inflamar ainda mais a fúria da infeliz mulher.
Catarina fez o que os santos sempre fazem quando não podem mais agir com as próprias forças: voltou-se para Deus.
Suplicou fervorosamente que Ele mesmo amolecesse aquele coração e Deus atendeu, mas de um modo que ninguém esperava.
A enfermidade que poderia ter sido o fim
Deus afligiu Palmerina com uma doença fatal.
Quando Catarina, movida pela compaixão, aproximou-se para cuidar daquela que tanto a odiava, foi recebida com mais insultos.
Palmerina a expulsou de sua presença com palavras violentas, recusando qualquer aproximação.
E o pior: seu fim se aproximava, mas ela não podia receber os últimos sacramentos.
O ódio que nutria era como um muro que a impedia de se reconciliar com Deus.
Palmerina se recusava a abandoná-lo e caminhava a passos largos para a condenação eterna.
O combate da intercessão
Por três dias e três noites, Santa Catarina alternou jejum rigoroso e oração incessante, suplicando por aquela que a odiava.
Vendo que a infeliz já estava com um pé no inferno, chorou copiosamente e ficou inconsolável.
— Senhor — disse a santa, com a confiança de uma filha — permitirás que esta alma pereça por minha causa? Imploro-te, concede-me a todo custo a sua conversão e salvação.
Inicialmente, Nosso Senhor parecia se recusar a tocar aquele coração endurecido.
Mas Catarina de Sena, conhecendo o poder da insistência santa, replicou com uma ousadia que agrada a Deus:
— Senhor, não me negues a graça que te peço: não te deixarei até que a tenha obtido.
Um Milagre de Misericórdia
A oração da santa foi tão poderosa que, literalmente, impediu a morte da enferma.
Durante três dias e três noites, Palmerina sofreu uma atroz agonia, suspensa entre a vida e a morte.
Não podendo mais resistir aos rogos de sua serva fiel, Deus realizou um milagre.
Um raio celestial penetrou o coração da mulher moribunda.
Naquele instante, a graça divina fez o que nenhum esforço humano havia conseguido: abriu seus olhos para a feiúra do pecado e a tocou com um arrependimento profundo e sincero.
Ali, no leito de morte, Palmerina confessou seu pecado em voz alta, recebeu piedosamente os sacramentos e entregou sua alma ao Senhor em estado de graça.
A caridade que ultrapassa a morte
A conversão de última hora foi motivo de grande alegria. No entanto, temia-se que, mal escapada do inferno, Palmerina tivesse que pagar um preço alto no Purgatório.
Muitos, ao ver o drama encerrado, pensariam: “Agora o caso está resolvido. Ela se salvou, sua parte está feita.”
Mas Santa Catarina de Sena pensava diferente.
Se antes intercedeu para salvar Palmerina do inferno, agora passou a interceder para apressar sua entrada na glória.
Enquanto muitos ignoram esse dever de caridade, os membros da Liga de Resgate das Almas do Purgatório agem. Venha fazer a diferença na eternidade.
Por isso, ofereceu orações e sufrágios, intercedendo uma vez mais por aquela que, em vida, a havia coberto de insultos e calúnias.
Demorou muito para que a alma de Palmerina fosse liberta do Purgatório, mas Santa Catarina não cessou de rezar.
O que temos a aprender com isso?
Quantas vezes desistimos de alguém porque “não muda”? Ou porque nos odiou, insultou e caluniou?
Santa Catarina nos ensina a não desistir e, mais ainda, nos mostra que somos chamados a rezar inclusive por aqueles que nos fizeram mal.
Humanamente falando, ela teria todos os “motivos” para se afastar. No entanto, fez o oposto: intercedeu com amor pela salvação e pela libertação de Palmerina.
Pois como ensinou Nosso Senhor no Santo Evangelho:
“Amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos maltratam e perseguem” (Mt 5,44).
E um católico que deseja alcançar a santidade deve fazer morrer o próprio orgulho, o ressentimento e o desejo de vingança.
Se essa história mostrou algo, é que uma única alma que reza pode mudar o destino de outra para sempre.
Por isso, se você sente que não pode ignorar o apelo das almas, conheça a Liga de Resgate das Almas do Purgatório.




