O Templo de Jerusalém era o lugar do “sagrado”. Paredes antigas, ritos antigos, passos antigos. No entanto, naquele dia, o Sagrado em Pessoa entrou… carregado no colo de uma Mãe.
Quarenta dias após o nascimento, Nosso Senhor Jesus Cristo é levado ao Templo. Maria Santíssima, que não tinha pecado, submete-se ao rito de purificação.
Ela, a Imaculada, aceita ser vista como quem “precisa” de purificação. Não por necessidade. Por humildade. Por amor à Lei antiga que ainda não tinha sido rompida. Por reverência à tradição.
E aqui está a primeira facada no nosso orgulho moderno: a pureza não é troféu de método, é dom do Céu.
Há gente que acha que pureza se resolve com “técnica”, com um truque mental, com psicologia, com força de vontade. O texto é direto: isso é pouco. Isso é chão. Pode ajudar, sim, como mortificação dos sentidos. Mas pureza verdadeira… é graça. E graça se pede de joelhos.
Quem confia nas próprias forças nesse campo está a um passo do tombo. O homem forte aqui é o que sabe que é fraco e corre para Nossa Senhora como criança assustada corre para a mãe.
Um instante que devia ter parado o mundo… e passou “normal”
Agora imagine a cena.
Maria entra no Templo levando a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade encarnada. Deus entra na casa dos homens. Só esse detalhe merecia um Templo mil vezes mais belo, mil vezes mais limpo, mil vezes mais ardente.
E mesmo assim… quase ninguém nota.
O texto descreve uma decadência religiosa já avançada: barulho, comércio, distração, gente ocupada, sacerdotes já com coração torto, ambiente em ruínas espirituais. O Autor da vida entra e os homens de ruína não percebem.
Não é isso que acontece hoje?
Igrejas cheias de falatório e vazias de temor de Deus. Gente que entra, faz tudo, menos adorar. Católicos que se acostumaram com o sagrado como quem se acostuma com uma paisagem: está ali, então vira fundo de tela.
Deus continua entrando. E muita gente continua sem perceber.
Simeão: o velho que enxerga o que os “especialistas” não veem
No meio daquele cenário, Deus levanta um homem justo: Simeão.
Ele toma o Menino nos braços e canta o Nunc Dimittis: “Meus olhos viram a vossa salvação”. O velho estava preso à vida por uma promessa – ver o Messias antes de morrer – e, quando vê, ele descansa.
Só que Simeão não faz poesia para emocionar. Ele profetiza.
Ele diz que aquele Menino será causa de queda e de reerguimento, será sinal de contradição. E então vira-se para Maria Santíssima e entrega uma sentença que corta a história: “Uma espada transpassará a tua alma.”
Ali, naquele “mistério gozoso”, já está a sombra da Cruz.
Porque a alegria cristã não é anestesia. A alegria cristã já carrega a Cruz dentro, como semente carregada de fruto e sangue.
Maria Santíssima educa o Deus-Menino… e prepara o próprio coração para a espada
Há algo que a gente esquece com facilidade: Nossa Senhora não “apenas” gerou e amamentou. Ela formou.
Nosso Senhor Jesus Cristo, sendo Deus, quis crescer como homem: aprender, ser educado, viver trinta anos de vida escondida.
E Maria Santíssima, com inteligência iluminada e coração cheio de graça, ensinou as Escrituras, meditou, alimentou aquela humanidade santíssima.
E entre Mãe e Filho havia uma intimidade que não cabe em frase de efeito: convivência, oração, ofertas de reparação, súplicas pela missão, adoração verdadeira (sim: ela O adorava, porque Ele é Deus).
Então chega o dia em que Ele sai para pregar. E ela sabe: no fim do caminho, a espada.
E quando chega o Calvário, Maria cumpre a última tarefa: acompanhar até o alto, ficar de pé ao pé da Cruz, receber o último olhar, receber o novo filho (São João), abraçar o Corpo morto. A “Pietà”. O oceano da amargura.
“Sinal de contradição”: Cristo não veio para ser “aceitável”
Aqui o texto fica perigoso — e é bom que fique.
Simeão anunciou: o Cristo seria pedra de tropeço. Não um consolador universal “fofinho”. Não um pacificador de consenso. Uma presença que obriga a escolher.
Ele não ajunta bajulando. Ele separa revelando.
Ele chama fariseu de sepulcro caiado. Ele manda o jovem rico vender tudo. Ele diz que não dá para servir a Deus e ao dinheiro. Ele afirma que quem não come a Sua Carne não tem vida. Ele não “edita” a verdade para evitar escândalo.
Porque verdade não negocia com opinião.
E aqui vem a aplicação direta à nossa época: quando a sociedade legaliza o mal com linguagem doce — “compaixão”, “dignidade”, “autonomia”, “fragilidade” — a Igreja não foi enviada para ser “audível” aos critérios do mundo. Foi enviada para ser fiel.
Há horas em que o silêncio “prudente” é cumplicidade.
O discurso que fica só no humano, só no “mundano”, sem citar Deus, sem lembrar o Quinto Mandamento, sem dizer “não matarás”, é discurso que não fere o mal. E se não fere o mal, o mal avança rindo.
O mundo já tropeça na Pedra.
O escândalo agora é quando católicos têm medo de ficar em cima dela.
Peça hoje o que o Céu quer dar
Recordar e meditar na Apresentação no Templo é uma oportunidade de colher graças específicas: fé, pureza, humildade.
Peça isso como quem precisa de ar.
Peça pureza hoje. Para a mente. Para os olhos. Para a imaginação. Para a casa. Para os filhos. Para o casamento. Para a juventude que está sendo devorada por sujeira e mentira.
Peça humildade: aquela que faz Maria Santíssima se submeter ao rito que não precisava.
E peça fé: aquela que faz Simeão reconhecer o Salvador no meio da banalidade do dia.
Se este tipo de conteúdo te sustenta e te dá chão, ajude a Regina Fidei a continuar: torne-se um Filho Protegido do Padre Pio.
Missão não se mantém com aplauso, se mantém com sacrifício concreto.
E eu te peço uma coisa simples agora: reze uma Ave-Maria pedindo a graça da pureza. Hoje. Sem negociar com a própria fraqueza.





