A religiosa que voltou do Purgatório para revelar o peso de suas palavras

Santa Margarida Maria Alacoque registrou o encontro com uma alma que sofria pelas murmurações, pelas palavras contra o próximo e pela negligência na vida religiosa.

Santa Margarida Maria Alacoque e o Sagrado Coração de Jesus

Santa Margarida Maria Alacoque despertou com o corpo tão abatido que mal conseguia se mover. Durante o sono, vira uma religiosa que havia falecido há muito tempo. A irmã lhe dissera que sofria no Purgatório e precisava de auxílio.

As dores eram tão intensas que lhe parecia ter recebido em si os sofrimentos daquela alma.

Inicialmente, procurou não dar importância ao sonho. Entretanto, a falecida continuou a pedir suas orações.

Insistia para que Santa Margarida Maria oferecesse seus sofrimentos, unidos aos de Jesus Cristo, em seu favor. Com autorização da superiora, a santa acolheu o pedido.

Suas dores, porém, aumentaram a ponto de a superiora lhe ordenar que fosse repousar. Assim que se deitou, pareceu-lhe ter novamente a religiosa perto de si.

Dessa vez, a falecida lhe mostrou como sofria: estava deitada sobre um leito de chamas, cuja parte inferior era formada por pontas incandescentes que lhe penetravam o corpo.

Mais tarde, escreveria que a simples lembrança do que contemplara ainda a fazia estremecer.

A religiosa começou então a explicar por que sofria tanto.

O coração, a língua e a boca

Segundo o relato, a falecida atribuía seus tormentos à preguiça, à negligência no cumprimento da regra e às infidelidades a Deus.

Em seguida, mostrou como determinadas faltas estavam relacionadas aos sofrimentos que apresentava à santa.

O coração era dilacerado por instrumentos de ferro ardente. A religiosa explicou que aquela dor correspondia aos pensamentos de murmuração e desaprovação que alimentara contra suas superioras.

A língua, devorada por vermes, estava associada às palavras que pronunciara contra a caridade. A boca, coberta de feridas, recordava suas faltas contra o silêncio.

Santa Margarida Maria chorava. A falecida desejava que as pessoas consagradas pudessem conhecer seus sofrimentos, para que servissem a Deus com maior fervor e se guardassem das negligências que agora tanto lhe custavam.

Aquelas faltas tinham feito parte de sua vida: os pensamentos alimentados contra as superioras, as palavras que feriam o próximo, o descuido com os compromissos assumidos diante de Deus.

Agora, a religiosa reconhecia suas consequências e pedia ajuda.

Como aquela alma poderia ser socorrida?

A religiosa pediu que toda a comunidade oferecesse um dia de fidelidade ao silêncio para aliviar as feridas de sua boca.

Outro dia deveria ser vivido na caridade, sem faltas contra o próximo, em auxílio de sua língua.

Um terceiro, sem murmurações contra a superiora, socorreria seu coração atormentado.

Às faltas cometidas correspondiam gestos concretos de reparação.

Santa Margarida Maria ofereceu também a Comunhão na primeira sexta-feira de maio, conforme lhe havia sido pedido.

Depois, a religiosa comunicou que seus tormentos haviam diminuído muito e mencionou uma Missa celebrada em honra da Paixão de Nosso Senhor.

Ela ainda permaneceria no Purgatório por muito tempo, sofrendo as penas reservadas às almas que haviam sido tíbias no serviço de Deus.

As palavras passam. O mal que fazem pode permanecer

Essa experiência está registrada nos escritos que Santa Margarida Maria redigiu por ordem de Madre de Saumaise. Ao lê-la, podemos examinar hábitos que se instalam quase despercebidos em nossa rotina.

Uma conversa começa com um assunto comum e termina expondo os defeitos de alguém ausente. Uma contrariedade alimenta dias de reclamação. Um comentário é repetido sem que ninguém procure saber se é verdadeiro. Aos poucos, aquilo que deveria ser corrigido torna-se costume.

Na família, no trabalho e entre amigos, nossas palavras podem consolar, reconciliar e defender a reputação do próximo.

Também podem espalhar suspeitas, aumentar desavenças e deixar feridas que continuam abertas muito depois de encerrada a conversa.

O Catecismo ensina que todo pecado, mesmo venial, traz consigo um apego desordenado que precisa ser purificado, nesta vida ou depois da morte (§1472).

Temos, portanto, razões para examinar a consciência, procurar a Confissão e reparar, enquanto podemos, o mal que causamos.

Podemos começar interrompendo um comentário injusto, corrigindo uma informação falsa que ajudamos a espalhar ou pedindo perdão a quem ferimos.

A caridade também se aprende no cuidado com aquilo que dizemos.

Confie seus falecidos às orações da Liga das Almas

Talvez esta história tenha feito você recordar alguém de sua família, um amigo ou uma pessoa com quem conviveu por muitos anos.

Podemos confiar à misericórdia de Deus aqueles que amamos e continuar rezando por eles.

De 1º a 8 de novembro, serão celebradas oito Santas Missas em sufrágio das almas confiadas às orações da Liga de Resgate das Almas do Purgatório.

Os membros poderão inscrever os nomes de seus falecidos nesse Oitavário.

Ao participar da Liga, você ajuda a sustentar esse apostolado de oração pelas almas.

Una suas orações às nossas e apresente os nomes daqueles que deseja recordar na Santa Missa.

Lembre-se também das almas por quem talvez já ninguém reze. Aquela religiosa encontrou quem acolhesse seu pedido de auxílio.

Nós também podemos oferecer nossas orações pelos que partiram.

Faça parte da Liga de Resgate das Almas do Purgatório e inscreva seus falecidos no Oitavário de Missas.


QUERO FAZER PARTE DA LIGA DAS ALMAS

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