Uma denúncia atribui conotação fascista ao gesto de uma imagem de Cristo Rei inaugurada em 1934. O governo espanhol admitiu o pedido para análise, mantendo em aberto a possibilidade de retirada do monumento.

O monumento a Cristo Rei, situado no Santuário de Sant Salvador, em Felanitx, na ilha espanhola de Maiorca, tornou-se o centro de uma polêmica.
O conjunto monumental alcança aproximadamente 44 metros de altura, incluindo uma estátua de Jesus Cristo de 7 metros.
A imagem foi denunciada por apresentar um gesto que seus críticos consideram uma saudação fascista.
O Ministério de Política Territorial e Memória Democrática do governo de Pedro Sánchez, presidente socialista do país, aceitou analisar o pedido.
Por que denunciaram uma estátua de Cristo Rei?
A discussão está principalmente na posição do braço direito de Jesus Cristo, estendido para a frente.
Bartomeu Mestre, responsável pela denúncia, interpreta o gesto como uma referência à saudação romana utilizada por movimentos fascistas. Segundo ele, o projeto original da imagem teria sofrido alterações que lhe conferiram um significado político.
Essa interpretação, porém, é contestada pelos defensores do monumento, que afirmam que o gesto representa Cristo abençoando a população. A prefeita de Felanitx, Catalina Soler, rejeita a associação ao fascismo e destaca a importância religiosa e histórica da obra.
O que a lei tem a ver com isso?
A denúncia invoca a Lei de Memória Democrática, que prevê medidas contra símbolos de exaltação da sublevação militar de 1936, da Guerra Civil e da ditadura franquista.
O pedido foi apresentado em 2 de outubro pelo pesquisador, com apoio de 33 cidadãos e da associação Memòria de Mallorca. A iniciativa solicita que o ministério examine a inclusão do monumento no catálogo de elementos contrários à memória democrática.
O procedimento ainda está em fase inicial. A admissão do pedido não significa que o governo tenha reconhecido a estátua como símbolo fascista ou aprovado sua retirada.
A estátua foi inaugurada antes do franquismo
Um dos pontos centrais da discussão é a data: o Cristo Rei foi inaugurado em 1º de julho de 1934, durante a Segunda República espanhola.
Portanto, a imagem já existia dois anos antes do início da Guerra Civil e antes da ditadura de Franco. Seus defensores destacam essa cronologia e o vínculo de gerações de moradores com o monumento.
O bispado de Maiorca também defende a permanência da imagem e recorda que ela não foi incluída no levantamento de símbolos franquistas elaborado pelo governo regional das Ilhas Baleares em 2019.
A controvérsia também chegou à Câmara Municipal de Felanitx. Em 20 de outubro, os vereadores rejeitaram discutir em regime de urgência uma proposta do partido Vox para defender a proteção patrimonial do monumento.
A prefeita Soler considerou prematuro votar a iniciativa antes de uma manifestação do ministério. A decisão não representa apoio à retirada da estátua.
Uma campanha para preservar o Cristo Rei
Em 19 de outubro, a organização Hazte Oír lançou a campanha “Salvemos el Cristo”, com uma coleta de assinaturas pela preservação da estátua.
A entidade pede às autoridades de Maiorca que protejam o monumento como Bem de Interesse Cultural, um reconhecimento destinado à conservação do patrimônio histórico. A campanha destaca sua importância religiosa, cultural e paisagística para a população.
A Associação Regina Fidei acompanha acontecimentos que dizem respeito à presença da fé católica na sociedade.
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Fontes:
Mallorcadiario: situação do procedimento e posição dos defensores do monumento.
El Debate: denúncia contra o Cristo Rei inaugurado em 1934.
ElDiario.es: declarações do autor do pedido e da prefeita de Felanitx.
Europa Press: campanha pela proteção do Cristo Rei.





