Um jornalista de um jornal anticlerical foi a Fátima para investigar as aparições. O que presenciou surpreendeu os leitores.

Em outubro de 1917, uma revista portuguesa publicou uma reportagem com o título “O Milagre de Fátima”. As fotografias mostravam pessoas ajoelhadas num campo e uma multidão olhando para o céu.
A revista se chamava Ilustração Portuguesa. Era publicada pela empresa do jornal O Século, que costumava combater a influência da Igreja na sociedade. Por isso, era conhecido como um jornal anticlerical.
O Século havia tratado as aparições com desconfiança. Chegara a apresentá-las como uma invenção para ganhar dinheiro.
Mas um de seus jornalistas foi até Fátima. E, depois de acompanhar o que aconteceu, escreveu uma reportagem que surpreendia pelo próprio título:
“Coisas espantosas! Como o sol bailou ao meio-dia em Fátima”.
O que levou milhares de pessoas a Fátima naquele dia?
Desde maio daquele ano, três crianças diziam que Nossa Senhora lhes aparecia em Fátima, uma localidade de Portugal. Eram Lúcia, Francisco e Jacinta.
A notícia se espalhou. Segundo as crianças, Nossa Senhora daria um sinal em outubro. Milhares de pessoas decidiram ir ao lugar das aparições para acompanhar o que aconteceria.
Naquele tempo, o governo português impunha restrições à Igreja.
Até manifestações públicas da fé enfrentavam proibições. As notícias de Fátima encontravam tanto pessoas dispostas a acreditar quanto outras que zombavam das aparições.
Para cobrir o dia 13 de outubro, O Século enviou o jornalista Avelino de Almeida, acompanhado do fotógrafo Judah Ruah.
Avelino conhecia a religião católica. Havia estudado no seminário quando jovem, mas abandonara a vida religiosa. Depois, no jornalismo, escrevera textos contra o clero.
O que o jornalista encontrou
Avelino chegou à região na véspera. Pelo caminho, encontrou grupos de peregrinos. Muitos andavam descalços e rezavam o terço.
Queriam passar a noite perto do lugar das aparições. Assim, conseguiriam uma posição melhor para acompanhar o dia seguinte.
Na manhã de 13 de outubro, começou a chover forte. A água encharcava as roupas e dificultava a caminhada. Mesmo assim, as pessoas continuavam chegando.
Quando as crianças chegaram, havia fiéis ajoelhados na lama. Lúcia pediu que fechassem os guarda-chuvas.
Avelino contou que a chuva parou e o céu começou a clarear. A multidão olhou para o Sol. Segundo sua descrição, ele parecia uma placa de prata fosca, sem o brilho que normalmente impedia olhar diretamente para ele.
Depois, o jornalista registrou movimentos que os presentes chamaram de uma dança do Sol. Ouviu gritos de espanto e pessoas dizendo que presenciavam um milagre.
Naquele mesmo dia, escreveu um cartão à irmã. Em poucas palavras, contou o que havia vivido:
“Vi coisas extraordinárias que depois te contarei.”
Avelino sublinhou essa frase.
O testemunho chegou ao jornal e à revista
Dois dias depois, em 15 de outubro, O Século publicou a reportagem de Avelino.
O jornal que havia desconfiado das aparições agora levava aos leitores o testemunho de seu próprio enviado.
Em 29 de outubro, o jornalista voltou ao assunto na Ilustração Portuguesa. Um antigo companheiro lhe pedira que contasse com sinceridade o que vira e ouvira em Fátima como jornalista, para observar os acontecimentos e relatá-los aos leitores.
Na reportagem, reafirmou que observara movimentos intensos do Sol e mudanças de cor. Ao terminar, deixou a explicação do acontecimento para a ciência e para a Igreja:
“O resto é com a Ciência e com a Igreja…”
As fotografias da revista mostravam a multidão, as pessoas ajoelhadas e os rostos voltados para o céu. Junto delas, estava o relato assinado pelo jornalista.
Assim, o acontecimento conhecido como Milagre do Sol ficou registrado também nas páginas de uma imprensa que havia tratado Fátima com desconfiança.
A mensagem que Nossa Senhora deixou
Naquele 13 de outubro, Nossa Senhora pediu que continuassem a rezar o terço todos os dias e que deixassem de ofender a Deus. O acontecimento que chamou a atenção dos jornais acompanhava um pedido de oração e de mudança de vida.
Mais de um século depois, o apelo de Nossa Senhora à oração e à penitência continua atual. É para torná-lo conhecido e incentivar as famílias a colocá-lo em prática que trabalha a Associação Regina Fidei.
Os Missionários de Fátima da Regina Fidei ajudam a manter esse trabalho com contribuições regulares. Seu apoio permite que mais pessoas conheçam a mensagem de Nossa Senhora e que mais famílias sejam incentivadas a rezar juntas.
Ao participar, você ajuda esses ensinamentos a chegarem a mais lares.
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Fontes:
Ilustração Portuguesa,
“O Milagre de Fátima”,
29 de outubro de 1917.
Santuário de Fátima,
Documentação Crítica de Fátima: seleção de documentos.
Avelino de Almeida,
cartão à irmã de 13 de outubro de 1917.
Hemeroteca Municipal de Lisboa,
“Ficha Histórica da Ilustração Portuguesa”.
Voz da Fátima,
edição de 13 de outubro de 1977.
Santuário de Fátima,
contexto histórico das aparições.




