O pedido para ter filhos, a coroa oferecida em agradecimento e a oração pela pátria que a princesa escreveu no exílio.
O pedido de Isabel a Nossa Senhora Aparecida
Em 1868, a princesa Isabel foi a Aparecida pedir uma graça. Estava casada havia quatro anos com o conde d’Eu, mas ainda não tinha filhos. Os dois chegaram ao santuário para confiar esse desejo a Nossa Senhora.
Isabel tinha 22 anos. Filha de Dom Pedro II, era a herdeira do trono brasileiro. O nascimento de uma criança era esperado pela família e tinha importância para a continuidade da monarquia.
Naquele tempo, a festa de Nossa Senhora Aparecida era celebrada em dezembro, por ocasião da Imaculada Conceição. Foi durante essas celebrações que o casal visitou a imagem.
Isabel levou um presente: um manto ornamentado com 21 brilhantes. Cada pedra representava uma das vinte províncias do Império e sua capital, o Rio de Janeiro.
A espera por um filho
A espera, porém, ainda reservaria uma grande dor à princesa. Em 28 de julho de 1874, após quase dez anos de casamento, nasceu sua primeira filha, Luísa Vitória, que veio ao mundo sem vida.
No ano seguinte, nasceu Pedro de Alcântara. Luís, o segundo filho, veio em 1878, e Antônio, em 1881. A família tinha, enfim, três meninos.
Isabel conservaria a lembrança da primeira filha. Muitos anos depois, ao escrever sobre sua devoção a Nossa Senhora, recordou a criança que perdera e o consolo recebido com o nascimento dos três filhos.
O retorno para agradecer
Em 1884, Isabel voltou a Aparecida com o marido. Os três filhos também estavam presentes. A família retornava ao lugar onde o casal havia pedido a graça de um herdeiro.
Dessa vez, a princesa ofereceu uma coroa de ouro de 24 quilates, com cerca de 300 gramas, cravejada de brilhantes.
A partida para o exílio
Em 13 de maio de 1888, Isabel assinou a Lei Áurea, que aboliu a escravidão no Brasil. Na ocasião, exercia a regência: governava o país durante a ausência de seu pai, Dom Pedro II.
Pouco mais de um ano depois, em novembro de 1889, o golpe republicano derrubou a monarquia. A família imperial foi obrigada a deixar o Brasil.
Isabel passou a viver na França. A herdeira do trono brasileiro não chegaria a reinar.
A coroa permaneceu no santuário e foi utilizada em 1904, na coroação solene da imagem de Nossa Senhora Aparecida, autorizada pelo Papa São Pio X. Naquela ocasião, Isabel já vivia havia quinze anos no exílio.
Longe da sua pátria, a princesa recebia brasileiros que a procuravam e mantinha correspondência com pessoas de sua terra. Respondia às cartas mesmo quando uma dor no punho tornava difícil escrever.
Também continuou a recordar Nossa Senhora Aparecida.
Uma oração pelo Brasil
Em 8 de dezembro de 1907, Isabel escreveu um texto para um Álbum Mariano, uma coletânea dedicada a Nossa Senhora. Algumas brasileiras haviam lhe pedido essa contribuição.
A princesa estava na cidade francesa de Eu. Já haviam passado dezoito anos desde sua saída do Brasil.
Em suas linhas, recordou a devoção a Nossa Senhora de Lourdes, a perda da primeira filha e o nascimento dos três meninos. Depois, invocou outros títulos de Nossa Senhora, entre eles Aparecida e Nossa Senhora da Glória.
Ao mencionar os dois santuários brasileiros, registrou que estava impedida de voltar a visitá-los. Pediu então:
“Proteja nossa cara pátria, meu esposo e filhos.”
Assinou o texto como Isabel, condessa d’Eu.
A princesa morreu na França em 14 de novembro de 1921, aos 75 anos, sem retornar ao Brasil.
Sua súplica reunia a família e o Brasil sob a proteção de Nossa Senhora. A devoção que marcou a vida da princesa continua presente nos lares onde pais e filhos rezam por seus entes queridos e pela pátria.
A Associação Regina Fidei procura fortalecer essa prática ao divulgar a Mensagem de Fátima e seus apelos à oração e à penitência.
Os Missionários de Fátima sustentam esse apostolado com contribuições regulares, permitindo que esses ensinamentos cheguem a mais famílias.
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Fontes:
Santuário Nacional de Aparecida, “História de Nossa Senhora Aparecida”.
Biblioteca Nacional, Brasiliana Fotográfica, “Princesa Isabel”.
Biblioteca Nacional, “Princesa Isabel”.
Biblioteca Nacional, “No exílio, o amor à Pátria distante”.
Francisco Leme Lopes, “Isabel, a católica”, Anuário do Museu Imperial, volume 32, 1971.




