Em um encontro com Giovanni Leone, presidente da Câmara dos Deputados da Itália, Padre Pio deu respostas duras sobre responsabilidade, fé e vida pública.

No dia 4 de outubro, milhões de brasileiros participam das eleições para presidente da República, governadores, senadores e deputados estaduais e federais.
Por isso, gostaríamos de apresentar o relato de um encontro entre Padre Pio e um dos mais importantes políticos italianos de seu tempo.
O objetivo aqui é recordar que a responsabilidade de quem ocupa um cargo público (e de quem os elege seus representantes) não pode ser separada da responsabilidade diante de Deus.
Uma afirmação contundente
Padre Pio viveu em uma Itália marcada pelas consequências da Segunda Guerra Mundial e por intensos conflitos políticos e ideológicos.
Naquele contexto, manifestava forte oposição ao comunismo e também criticava religiosos e autoridades que defendiam uma aproximação com seus representantes.
Em uma de suas declarações mais contundentes, afirmou:
“O diálogo com os que rejeitam a Deus é contrário ao Espírito do Evangelho. Todos os que defendem a possibilidade de um diálogo com eles perderam a cabeça, perderam a fé. Embora afirmem o contrário, eu lhes asseguro que Deus não pensa assim.”
É dentro desse ambiente que se compreende um encontro particularmente curioso ocorrido em San Giovanni Rotondo.
O Presidente da Câmara diante do Padre Pio
Giovanni Leone, então presidente da Câmara dos Deputados da Itália e que, anos depois, chegaria à Presidência da República, visitou Padre Pio.
Leone defendia posições com as quais Padre Pio não simpatizava. Na despedida, o político agradeceu:
— Padre, agradeço o seu afetuoso acolhimento.
Padre Pio respondeu imediatamente:
— Afetuoso sim, mas não caloroso.
Leone tentou então conduzir a conversa para um terreno mais diplomático:
— Esperamos que as sementes lançadas pelo senhor possam dar seus frutos entre nós.
Padre Pio retrucou:
— Contanto que não sejam bolotas de carvalho.
Bolotas de carvalho costumam ser alimento dado aos porcos. Falando assim, Padre Pio queria dizer que esperava não estar dando pérolas a porcos.
A conversa, que poderia ter terminado em cumprimentos protocolares, tornou-se cada vez mais desconcertante para o visitante.
“Eles não recebem nenhuma paga no final do mês”
Percebendo a resistência de Padre Pio, Leone tentou explicar as limitações enfrentadas por quem atua na política.
— Padre, o senhor precisa compreender que nem sempre podemos agir de acordo com nossas iniciativas. Somos controlados como prisioneiros.
A resposta do Padre Pio veio sem rodeios:
— Entre os prisioneiros e vocês, porém, há uma diferença: eles não recebem nenhuma paga no final do mês.
Sua afirmação atinge justamente um dos argumentos mais comuns de quem exerce uma função pública: a ideia de que circunstâncias, alianças ou pressões tornam determinadas decisões inevitáveis.
Para Padre Pio, porém, o cargo não eliminava a responsabilidade pessoal pelas próprias decisões.
Leone ainda tentou encerrar o encontro de maneira diplomática.
— A Câmara espera que nos dê sua bênção.
Padre Pio, bastante contrariado, retrucou:
— Na realidade, o que faz falta à Câmara é uma bomba atômica.
Naturalmente, Padre Pio não desejava que uma bomba atingisse o Parlamento. Era seu modo incisivo de se expressar para mostrar o quanto desaprovava o que ali acontecia.
Política também é responsabilidade moral
As palavras de Padre Pio carregam a sinceridade e a ironia características de algumas de suas respostas. Ainda assim, o episódio toca em uma questão que não pertence apenas aos políticos.
Também pertence aos eleitores.
Afinal, se quem ocupa um cargo público responde moralmente pelas decisões que toma, quem escolhe seus representantes também não deveria tratar o voto como um gesto sem consequências.
Neste dia, milhões de brasileiros irão às urnas. Cada eleitor terá diante de si nomes, partidos, propostas, discursos e promessas. No entanto, para um católico, existe ainda outra pergunta: que peso os valores cristãos devem ter nessa escolha?
O episódio do encontro entre o santo e Giovanni Leone mostra que Padre Pio não via a política como um território separado da moral. Para ele, conveniência, pressão e circunstância não bastavam para justificar qualquer decisão.
E essa reflexão também acompanha o eleitor até a urna.”
Fonte: Livro: Padre Pio – O Santo do Terceiro Milênio, de Olivo Cesca.




