Veja qual deve ser a atitude do católico nestes dias.

Há quem afirme que o Carnaval nasceu de forma sadia. A História e a realidade, porém, afirmam exatamente o oposto.
Esta festa desde as suas origens é a celebração da concupiscência, do pecado e do próprio inferno.
Por quê? Porque, nestes dias, o espírito do mal trabalha incansavelmente para distanciar as almas de Deus, envenenando-as com ocasiões de pecado grave.
Diante deste cenário, uma pergunta crucial ecoa no coração do católico: como posso viver este tempo em que Nosso Senhor é tão gravemente ofendido?
Não é uma dúvida nova. Outros, antes de nós, já enfrentaram esses mesmos dias e nos deixaram um caminho luminoso a seguir
Como reagiria um santo diante desses dias? Como nos exortaria Padre Pio, cuja vida inteira foi marcada pela reparação das ofensas feitas a Deus?
O Que um Santo Ensina Sobre o Carnaval
Embora não possuamos um escrito direto de Padre Pio tratando especificamente do Carnaval, toda a sua vida foi um combate constante ao pecado.
Seu silêncio escrito é compensado por uma existência inteira oferecida como resposta.
Esse espírito de reparação não era exclusivo dele, mas uma marca visível em muitos outros santos, que compreenderam o que está em jogo quando o mundo se entrega às paixões sem freio.
Entre eles, encontramos uma luz poderosa nas palavras de São José Allamano. Esse santo, sobrinho de São José Cafasso e aluno de Dom Bosco, que viveu entre 1851 e 1925, deixou um guia claro.
Em sua obra “A vida espiritual”, tratando sobre o Carnaval, ele afirma que este é um tempo em que Nosso Senhor é ofendido e se entristece.
Essa constatação não nasce de uma opinião, mas da leitura espiritual da vida de Jesus Cristo e de suas palavras.
Ele explica que Nosso Senhor profetizou aos Apóstolos: “O mundo se alegrará, mas vós, porém, estareis tristes” (Jo 16, 20).
E afirma que esta primeira parte da profecia se cumpre de forma particularmente visível durante o Carnaval, pois nesses dias o mundo solta as rédeas das paixões mais ignóbeis.
Allamano prossegue, argumentando que se fossem apenas alegria e satisfações inocentes, tal celebração não ultrajaria o Senhor… Mas não é o que acontece.
Basta olhar ao redor para perceber como essa profecia se encarna na realidade.
A cada esquina, é possível testemunhar desordens no comer e no beber. As ruas que se enchem de pessoas que perderam a razão.
Nestes dias, as noites escondem e, ao mesmo tempo, revelam a entrega desenfreada à sensualidade. O ar fica pesado com palavras obscenas e blasfêmias.
Cada um destes atos fere profundamente o Coração de Jesus, porque o demônio, astuto, aproveita-se deste clima com uma ferocidade singular.
É diante dessa realidade concreta que a alma fiel é chamada a tomar posição.
Clique aqui e acenda uma vela de reparação pelos pecados cometidos no Carnaval. Ofereça-a como desagravo ao Coração de Jesus que é extremamente ofendido nesses dias.
“Vós Estareis Tristes!”: A Tristeza Santa que Consola Deus
Então, o católico consciente dessas verdades deve se perguntar: o que farei eu, no meio de tanta depravação?
São José Allamano continua afirmando que o próprio Jesus responde: “Vós estareis tristes!” (Jo 16,20).
Não se trata de uma tristeza humana, nem de mero abatimento, mas de uma dor nascida do amor, de um coração que sofre ao ver Aquele que ama ser ofendido.
Enquanto o Senhor é duramente ofendido, poderíamos nós, que somos seus filhos, nos alegrar?
Pense: se alguém ofendesse gravemente seu pai, você daria risadas? Assim, sabendo que Deus é ofendido, nosso coração deve contristar-se.
Nosso lugar é ao lado d’Ele, compartilhando desta dor. Portanto, o lugar do católico não é no meio da folia, pulando Carnaval.
Mas essa união com Cristo na sua dor não pode ficar escondida, porque os pecados cometidos não ficam ocultos. Ela exige uma resposta concreta.
Enquanto muitas igrejas ficam vazias e os sacrários, abandonados, Nosso Senhor espera por você, por mim, por cada um dos seus filhos.
Visitá-Lo no sacrário, fazer diante de Jesus Sacramentado atos de reparação, de adoração, ainda que breves, será um sinal visível que demonstrará de que lado estamos.
Se, enquanto reza, vier à sua mente a lembrança de que o mundo se diverte, ou a memória de algum Carnaval do passado… não se perturbe.
Ofereça este mesmo pensamento como sacrifício, convertendo-o em mais um ato de reparação.
Como os Santos Enfrentavam os Pecados do Carnaval?
Essa postura de reparação não é uma invenção moderna, nem um exagero de almas sensíveis.
Perante este esquecimento generalizado de Deus, que acontece durante os dias de Carnaval, a contra-ofensiva do católico deve ser o recolhimento, a oração intensificada e as pequenas mortificações.
Foi exatamente assim que os santos, em todas as épocas, responderam a esses dias. Assim imitaremos aqueles que bem compreendiam a gravidade deste tempo.
A história da Igreja está repleta de exemplos heroicos, que nos mostram diferentes formas de reparação. Veja como alguns deles agiam nesses dias:
- Na penitência e no jejum, destacaram-se São Carlos Borromeu, com suas severas penitências; São Vicente de Paulo, que impôs abstinência a seus religiosos; e o Bem-Aventurado Henrique Suso, que não ingeria alimento algum durante os três dias.
- No recolhimento e na reparação sobressaíram São Francisco de Sales, que permanecia mais recolhido; Santa Catarina de Siena, que intensificava suas abstinências e foi desposada por Cristo com a aliança do sofrimento; e Santa Margarida Maria Alacoque, que padecia intensamente durante os dias de folia.
- Na percepção sobrenatural do sofrimento de Deus, brilharam Santa Gertrudes, a quem foi revelado que Jesus anota cada ato de reparação feito no Carnaval; e São Caetano de Thiene, que morreu de desgosto, ferido pela vista das ofensas a Nosso Senhor.
Em cada um desses exemplos, brilha um mesmo espírito: o amor que se faz reparação, a fé que se traduz em ação concreta para consolar o Coração de Deus.
O Seu Lugar é na Linha de Frente da Reparação
Façamos, portanto, tudo o que estiver ao nosso alcance. Em espírito de reparação pelos pecados alheios, pela salvação das almas que se perdem.
É preciso que Jesus seja consolado. Que Ele possa olhar para a Terra e dizer que, ao menos os seus, O consolam!
Entre agora na linha de frente da reparação: acenda sua vela em reparação pelos pecados cometidos neste Carnaval.
O convite está feito, Jesus está no sacrário aguardando. Enquanto muitos buscam se perder na multidão, você pode se encontrar na solidão adorante de uma capela.
Neste Carnaval, além de visitar Jesus Eucarístico, ofereça um terço ou um ato de penitência em reparação.
A pergunta do católico, portanto, não deve ser “onde está a festa?”, mas “onde está o meu Senhor?”.
E dar, com liberdade e amor, o passo que o leva até Ele, para consolá-Lo.




