Educador da juventude e protagonista de um apostolado decisivo na Itália do século XIX.

São João Bosco, cuja festa a Igreja celebra neste dia 31 de janeiro, foi uma das figuras mais marcantes da Itália do século XIX.
Sacerdote, educador, escritor e fundador de congregações religiosas, destacou-se num tempo de rápidas transformações sociais como a industrialização e as revoluções liberais.
Dotado de um carisma incomum, Dom Bosco uniu inteligência prática e profunda vida espiritual, atuando de forma direta junto à juventude do seu tempo.
Reconhecido por dons extraordinários — como o discernimento dos espíritos, a profecia e os milagres — tornou-se, ainda em vida, uma das figuras mais populares da Europa católica.
Mas o caminho até ali começou de forma silenciosa, construído em meio à dor, ao trabalho e à perseverança.
Infância marcada pela perda e pela coragem
João Bosco nasceu em 16 de agosto de 1815, em Becchi, pequena aldeia de Castelnuovo de Asti, no então Reino do Piemonte-Sardenha, região que hoje integra o norte da Itália.
Muito cedo, aprendeu o peso da palavra sofrimento. Aos dois anos, perdeu o pai, deixando a família em extrema dificuldade.
A partir daquele momento, a figura central de sua formação foi sua mãe, Margarida Occhiena, que ficaria carinhosamente conhecida como “Mamãe Margarida”.
Mulher simples, firme e profundamente cristã, ela sustentou o lar em meio a um cenário europeu ainda ferido pelas guerras napoleônicas.
Contudo, a inteligência precoce de João logo se tornou motivo de conflito dentro de casa.
Seu meio-irmão Antônio via os estudos como perda de tempo, enquanto o jovem Bosco demonstrava um desejo quase irresistível de aprender.
Era o primeiro obstáculo de muitos, num caminho que exigiria constância e sacrifício desde cedo.
O sonho que revelou sua vocação
Aos nove anos, João Bosco teve um sonho que marcaria toda a sua vida. Nele, via um grupo de animais ferozes que, pouco a pouco, se transformavam em cordeiros.
Esse sonho lhe indicava que aquela seria sua missão: converter os corações endurecidos por meio da mansidão, da fé e do amor.
O sentido daquele sonho, entretanto, só se revelaria plenamente com o tempo. Mas, a partir daquele momento, João passou a olhar os outros meninos com um zelo especial.
Observador e criativo, aprendeu truques de mágicos e artistas de rua, organizava jogos e apresentações. O objetivo era claro: atrair, reunir e, depois, falar de Deus.
Essa vivacidade chamou a atenção do padre João Calosso, capelão de Murialdo, aldeia vizinha, que lhe deu as primeiras lições de latim em 1829.
A morte repentina do sacerdote interrompeu o apoio. Para continuar os estudos, João Bosco trabalhou como alfaiate, garçom, sapateiro, carpinteiro, ferreiro e estribeiro.
Cada ofício contribuiu para sua formação humana e para o contato direto com a realidade dos jovens trabalhadores.
O Apostolado com a Juventude
O talento do jovem estudante não passou despercebido. São José Cafasso, sacerdote influente na cidade de Turim, reconheceu nele uma vocação sólida e o encaminhou ao seminário.
Em 5 de junho de 1841, João Bosco foi ordenado sacerdote e passou a ser conhecido como Dom Bosco. Logo após, no Internato Eclesiástico de Turim, iniciou o apostolado que definiria sua vida.
Nas ruas, nas prisões e nos prédios abandonados, encontrou jovens pobres, vindos do campo, desorientados pela industrialização e expostos ao abandono social.
Em 8 de dezembro de 1844, inspirado pelo exemplo de São Francisco de Sales, fundou um Oratório dedicado a ele, no bairro operário de Valdocco.
Aquele pequeno oratório tornou-se o núcleo inicial de uma obra mais ampla: a Congregação Salesiana, fundada em 1861, cujo carisma era a educação da juventude masculina.
Formar bons cristãos e cidadãos honestos
O método de Dom Bosco unia disciplina, afeto e fé. Nos oratórios, os jovens recebiam formação profissional e sólida vida espiritual.
Aprendiam um ofício, mas também eram catequizados, aprendiam a rezar, a confiar em Deus e a viver com dignidade.
Ao longo dos anos, para ajudar na formação profissional da juventude, surgiram oficinas de sapateiros, alfaiates, encadernadores, marceneiros, tipógrafos e ferreiros.
Cada espaço era pensado para tirar os jovens da ociosidade e oferecer-lhes meios concretos de inserção social, para que pudessem constituir boas famílias católicas.
Em 1872, ao lado de Santa Maria Domenica Mazzarello, Dom Bosco fundou as Filhas de Maria Auxiliadora, estendendo o mesmo cuidado à juventude feminina.
Nos seus apelos públicos, afirmava desejar formar “cidadãos honestos e bons cristãos”, síntese clara de seu projeto educativo.
Hoje, a Igreja continua precisando de pessoas que sustentem outros apostolados que ajudem a resgatar a fé católica.
É com a ajuda de benfeitores que apostolados como o da Regina Fidei. Doe e mantenha esse trabalho vivo.
Um legado que segue vivo e atual
Fiel ao exemplo de zelo de São Francisco de Sales, que sempre foi sua referência, Dom Bosco ampliou seu campo de apostolado.
Visando também a formação de famílias e do povo católico em geral, passou a redigir as Leituras Católicas, publicadas a partir de 1853.
Seu lema resumia toda a sua vida: “Dai-me almas e ficai com o resto”.
Durante toda a sua existência, preocupou-se exclusivamente em ganhar almas para o Céu, sem poupar sacrifícios pessoais, mas agindo sempre com doçura e mansidão.
Quando faleceu, em 31 de janeiro de 1888, multidões de jovens e ex-alunos acompanharam seu enterro.
Entre seus discípulos estão nomes que também marcaram a história da Igreja, como São Domingos Sávio, São José Allamano e o Beato Miguel Rua, seu primeiro sucessor no governo dos salesianos.
A santidade de sua vida, já reconhecida pelo povo, foi confirmada pela Igreja: o Papa Pio XI beatificou-o em 1929 e o elevou à honra dos altares em 1934.
Mais de um século depois, a obra de São João Bosco continua viva e sua missão de transformar feras em cordeiros, segue desafiando a Igreja a não abandonar a juventude.
A Regina Fidei segue hoje o apostolado que Dom Bosco começou levando a fé a muitos que estavam quase desistindo dela.




