De perseguidor do cristianismo a seu maior anunciador

A Igreja celebra, no dia 25 de janeiro, a conversão de São Paulo Apóstolo, um dos episódios mais marcantes da história do cristianismo.
Diferentemente de outros santos, cuja conversão também é lembrada com reverência, a de São Paulo ocupa um lugar singular: trata-se da transformação radical de um perseguidor implacável em um dos maiores defensores e propagadores da fé cristã.
O relato bíblico descreve o momento decisivo dessa mudança às portas de Damasco, quando Saulo ouviu a voz que lhe dizia:
“Saulo, Saulo, por que me persegues?” (At 9,4).
A partir desse encontro, sua vida tomou um rumo completamente novo.
Um fariseu zeloso e convicto
Antes da conversão, Saulo de Tarso era um judeu rigorosamente formado na tradição farisaica.
Natural da cidade de Tarso, na Cilícia, possuía cidadania romana e vinha de uma família profundamente ligada à observância da Lei.
Educado no mais estrito zelo religioso, destacava-se pela fidelidade às tradições e pelo rigor moral. Zelo, porém, que o levou a ver no cristianismo uma ameaça grave à religião judaica.
O crescimento da nova doutrina e a adesão cada vez maior de fiéis despertaram em Saulo uma oposição feroz. Convencido de que combatia um erro perigoso, passou a agir com violência contra os seguidores de Cristo.
Os Atos dos Apóstolos registram que ele obteve autorização das autoridades religiosas para prender cristãos e levá-los a Jerusalém.
Seu nome ficou associado à perseguição direta à Igreja nascente, marcada por prisões, intimidações e até mortes.
O encontro decisivo no caminho de Damasco
Foi justamente durante uma dessas viagens de perseguição que ocorreu o episódio que mudaria sua história. A caminho de Damasco, Saulo foi envolvido por uma luz intensa e caiu por terra.
Nesse momento, ouviu a voz de Cristo questionando-o sobre a perseguição aos seus seguidores.
A tradição cristã interpreta esse diálogo como a identificação profunda de Cristo com a Igreja: ao atacar os cristãos, Saulo estava, na verdade, perseguindo o próprio Cristo.
A pergunta divina não era uma acusação isolada, mas a revelação de um mistério central da fé cristã: a união entre Cristo e seus fiéis.
Diante dessa experiência, Saulo respondeu com total submissão: “Senhor, que quereis que eu faça?” (At 9,6).
Também hoje somos chamados a respondê-la com decisões concretas, como unir-se ao grupo Filhos Protegidos do Padre Pio.
A partir dali, São Paulo rendeu sua vida completamente a Jesus Cristo.
Uma conversão considerada extraordinária
Teólogos e santos ao longo dos séculos destacaram a conversão de São Paulo como um dos maiores milagres da graça divina.
Santo Agostinho reflete que, se a ressurreição de um morto e a conversão de um pecador são obras de igual poder, a conversão é obra de maior misericórdia.
No caso de Paulo, foi um “milagre estabelecido sobre outros milagres”, como registram hagiógrafos, pelos frutos extraordinários que gerou.
Impacto duradouro para o cristianismo
Nas palavras do historiador Daniel Rops, essa conversão foi “um prodigioso acontecimento, de incalculável importância, sem o qual todo o futuro do Cristianismo teria mudado de feição”.
Ensinado, segundo seu próprio testemunho, “por revelação de Jesus Cristo”, o apóstolo São Paulo tornou-se o arquiteto da evangelização dos povos gentios.
Suas viagens missionárias e suas epístolas formaram a coluna vertebral da doutrina e da organização da Igreja primitiva.
Sua vida tornou-se testemunho de que a graça divina pode agir de modo inesperado e absoluto, transformando até mesmo os mais obstinados adversários em instrumentos decisivos de Deus.
A conversão celebrada em 25 de janeiro permanece, assim, como sinal de esperança e exemplo de que nenhuma vida está fora do alcance da misericórdia divina.
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