Como a queda dos nascimentos ameaça o futuro das famílias e das nações.

No último domingo, o The New York Times trouxe um dado alarmante: pela quarta vez consecutiva, a população da China encolheu, atingindo seu pior nível desde 1949.
Do outro lado do mundo, os Estados Unidos enfrentam um declínio acentuado e constante de nascimentos desde 2007, conforme revelou a BBC no ano passado.
Na Europa e no Japão, os números são igualmente desesperadores. E até o Brasil, outrora conhecido por suas famílias numerosas, registrou em 2024 o menor número de nascimentos desde 1976, como noticiou o portal G1 em 2025.
O resultado é visível e silencioso: berçários vazios, carrinhos de bebê sumindo das praças e parques. Em seu lugar, instala-se o fantasma do “inverno demográfico”, expressão que descreve o lento processo de definhamento da humanidade.
O culto do prazer: a raiz deste “Inverno”
No centro deste desastre — e não é possível chamá-lo de outro modo — está a mentalidade de fechamento à vida, que tomou conta do Ocidente e, por sua influência, de grande parte do mundo.
Trata-se de uma mudança radical na forma de encarar a vida familiar.
Os filhos, outrora considerados “herança do Senhor” e “recompensa” (Sl 126[127],3), agora são vistos como empecilho ao bem-estar, tratados como um custo emocional, financeiro e existencial a ser evitado.
Escuta-se, com tristeza, os recém-casados dizerem: “Filhos? Não, quero curtir a vida!”. Ou ainda casais que afirmam: “Eu não quero mais um filho, porque não poderemos viajar de férias, não poderemos ir a tal lugar, não poderemos comprar uma casa”.
Neste cálculo mesquinho e egoísta, gerar novas vidas é pesado na balança fútil dos prazeres e confortos materiais, e sempre sai perdendo.
Pelo desejo de bem-estar e gozo da vida, recusa-se deliberadamente a finalidade principal do matrimônio, que é a procriação e a educação da prole.
A defesa dos anticoncepcionais, feita às vezes até por católicos de maneira intransigente e irrefletida, é a negação prática da cooperação do casal com o Criador. Afinal, o casamento não existe para povoar a terra e o céu?
Ao rejeitar essa missão fundamental, o homem não apenas desobedece a Deus; ele sabota o próprio alicerce sobre o qual a sociedade se constrói, se sustenta e se renova.
Por isso, a recusa deliberada de ter filhos é a causa desta lenta morte da própria sociedade, que começamos a assistir estarrecidos.
Diante disso, só a oração pode reconstruir o que pelo egoismo foi destruído. É por isso que existem os Missionários de Fátima.
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Das famílias destruídas à multiplicação dos asilos
As consequências desta escolha pelo conforto e não pelos filhos são aterradoras: famílias minúsculas, sem os laços sólidos de numerosos irmãos, frágeis e que se dilaceram facilmente pelo divórcio.
Gerações de filhos únicos, criados como pequenos deuses, crescem sem aprender o valor do limite, da renúncia e da partilha, e tornam-se adultos incapazes de sacrifício, entregues à solidão e ao isolamento.
É este indivíduo, produto final de uma cultura que escolheu não lhe dar irmãos e primos, que habitará um mundo envelhecido.
E então surge um questionamento: será que o mundo caminha, de fato, para se tornar um grande asilo de velhos?
A resposta é dura: sim, e um asilo desumano. Outrora, os muitos filhos e netos eram a “coroa dos velhos” (Pr 17,6), e cuidavam amorosamente de seus pais, tios ou avós anciãos.
Hoje, os idosos são relegados ao isolamento de um apartamento ou, pior, a depósitos de humanos chamados “Casas de Repouso”.
Porque aqueles que recusaram ter filhos, também não querem deixar de lado seu conforto para obedecer ao quarto mandamento: honrar pai e mãe, “amparando-os na velhice” (Eclo 3, 12).
A mesma mentalidade que levou à recusa dos filhos conduz agora ao abandono dos pais: idosos são deixados para morrer, vegetando na decepção até a morte, numa sociedade que trata a vida como produto, não como dom divino.
O que fazer diante deste cenário?
Diante deste panorama assustador, que se manifesta tanto nas estatísticas nacionais quanto na solidão dos lares, cada pessoa é chamada a um exame de consciência.
O desastre social já está consumado. As famílias encolhem, as economias inevitavelmente entrarão em colapso sem jovens para sustentá-las, e as nações definharão.
Em sua raiz, essa recusa moderna de gerar novas vidas manifesta-se como um castigo permitido: outrora negou a Deus e agora colhe o fruto de ter virado as costas à missão que o Autor da vida lhes confiou.
Portanto, a única saída viável é uma conversão sincera e coletiva.
Essa conversão não começa em discursos, mas de joelhos. Por isso nasceu o grupo Missionários de Fátima: para rezar, reparar e pedir que o chamado de Deus à abertura à vida e às famílias numerosas volte a ser acolhidos nos lares.
Se desejar unir-se a essa resposta, saiba mais aqui.
Queira Deus que os que incorreram nesse erro reconheçam seu pecado, reconciliem-se com o Criador e redescubram a bênção da família numerosa.
Quanto a nós católicos, que assistimos a este espetáculo desolador, além de incentivar a formação de famílias numerosas, resta-nos ainda um recurso, que nunca falha: implorar a intercessão da Santíssima Virgem Maria.
Que Ela, Rainha da Família, apresse o triunfo do Seu Imaculado Coração, para que a ordem querida por Deus seja restaurada e a civilização, seja novamente conduzida pela filosofia do Evangelho.





