A missão do pastorinho chamado a consolar Nosso Senhor entristecido pelo pecado dos homens.

Portugal, Fátima, 1917. Nossa Senhora apareceu por seis vezes a três crianças pastorinhas entre maio e outubro daquele ano.
No entanto, essa graça não se manifestou da mesma forma para cada uma delas.
A pequena Lúcia, de 10 anos, via, ouvia e falava com a Santíssima Virgem. Jacinta, de 7 anos, via e ouvia a Mãe de Deus, mas seu irmão Francisco, de 9 anos, só a podia contemplar.
Enquanto as palavras celestes ecoavam para as meninas, ele permanecia de joelhos, olhando fixamente, sem ouvir o que Nossa Senhora lhes dizia.
Mas por que Deus lhe concedeu apenas ver Nossa Senhora, porém não ouvir ou falar com Ela? A resposta não está nessa limitação, mas no singular desígnio divino reservado a ele.
A Missão de São Francisco Marto: Consolar a Nosso Senhor
São Francisco Marto era um menino doce, tranquilo e com um temperamento pacífico. A natureza o encantava e o silêncio lhe era natural.
Ao narrar as aparições, a Irmã Lúcia escreveu que “Francisco, pelo contrário, apenas via, não ouvia, e por isso, durante as aparições, perguntava depois: ‘Que foi que Nossa Senhora disse?’”.
Contudo, essa aparente privação ocultava uma vocação. O que lhe faltava em audição celestial, ele supria com uma escuta interior impressionante.
Ao saber, por meio do que lhe contava Lúcia e Jacinta, que Nosso Senhor estava triste por causa dos pecados do mundo, Francisco tomou para si uma missão:
“Gosto tanto de Jesus… Mas Ele está tão triste! Tenho que consolá-Lo.”
E ele cumpriu essa missão com dedicação heroica, passando longas horas em adoração diante do Santíssimo Sacramento, rezando o Rosário incessantemente e oferecendo pequenos sacrifícios.
Nos meses que se seguiram às aparições, fez das colinas o seu “mosteiro”, permanecendo longos períodos sozinho, recolhido, rezando com os olhos elevados ao Céu.
Dessa forma, os papéis se completavam: Lúcia tinha a missão de transmitir as mensagens de Nossa Senhora ao mundo e Jacinta a de oferecer sacrifícios pela conversão dos pecadores.
Francisco, por outro lado, recebeu uma vocação diferente: a do contemplativo, que ora e se sacrifica em silêncio para consolar a Deus, como fazem, por exemplo, os monges e monjas ao redor do mundo.
A Sabedoria da Aceitação
Interpelado sobre sua experiência aparentemente incompleta, São Francisco Marto não se revoltava, nem se sentia inferior.
Sua resposta era de uma simplicidade desarmante: “Nossa Senhora não falou comigo porque não sei ler”.
Essa resposta, longe de ser ingênua, revela uma profunda sabedoria espiritual. O Pastorinho de Fátima nos mostra que, perante os mistérios de Deus, cabe-nos aceitar com confiança.
Se o Senhor nos concede certos dons e nos priva de outros, é sempre em vista de um bem maior, ainda que nossa inteligência limitada não o compreenda plenamente.
Uma Lição para Todos os Tempos
A experiência de São Francisco Marto não pertence apenas à história das aparições de Nossa Senhora em Fátima, mas fala diretamente à vida espiritual de cada cristão.
Nem todos são chamados a anunciar, nem todos a agir visivelmente; alguns são chamados, sobretudo, a consolar, reparar e amar em silêncio, como fazem aqueles que se tornam Missionários de Fátima.
Em um mundo que valoriza o protagonismo, o pequeno pastorinho recorda que as ações escondidas: oração, adoração e sacrifícios, sustentam o mundo ameaçado pela ira divina.
Pois como alertou Nossa Senhora na aparição de 13 de julho:
“Deus […] vai a punir o mundo de seus crimes por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre”.
A vida e as palavras do menino de Fátima lembram ainda que para obedecer ao que Nossa Senhora pediu não é preciso muito, apenas o simples: rezar o rosário.
Pois, como ele repetia antes de morrer à sua irmã e prima:
“Vocês vão para a escola. Eu fico na igreja, perto de Jesus Escondido [no sacrário]… E daqui a pouco vou para o Céu”.
Para São Francisco Marto, ter apenas visto a Mãe de Deus em Fátima, mesmo não podendo ouvir ou falar com Ela, não era um dom pela metade.
Essa foi a via única e perfeita para cumprir sua missão: transformar-se, no silêncio, em eterno consolo para o Coração de Jesus.
O espírito de Francisco Marto — de oração escondida e consolo a Nosso Senhor — continua a ser vivido, hoje, por aqueles que se tornam Missionários de Fátima.
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